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segunda-feira, 26 de março de 2012

Palmeiras x Corinthians - Diálogo inter torcidas


                             
                                   Palmeiras x Corinthians. Paulistão 2012.

Resultado Final: 2 x 1 = 2 feridos x 1 morto.
Querido leitor, será que este é o caminho?
Vamos la, pense comigo:
-Se o seu time de futebol trocasse de jogadores com o seu maior rival, você continuaria torcendo por ele? Sim?  Então você não torce pelos jogadores!
-Se o emblema de seu time mudasse você continuaria torcendo por ele? Sim?  Então você não torce pelo emblema!
-Se as cores de seu time fossem mudadas mesmo assim seguiria sendo seu torcedor? Sim? Então você não torce pelas cores!
-Se o nome do seu time fosse alterado, ele continuaria sendo o seu time? 
 Se a resposta for positiva, então não é nem mesmo pelo nome de seu time que você torce!
Agora meu amigo, me responda: Para quem é que você torce? Por uma cor? Por um símbolo? Por um nome?
Será que isso vale tanto ódio e violência?
Torça pela amizade! Torça pela vida! Torça pela Paz!
Torça pelo seu time e não contra os outros torcedores.
Diálogo inter religioso, que envolve algo muito mais sério do que futebol já existe. Que tal praticar o diálogo.... Inter torcidas?
Pense nesta idéia! Pratique a paz, para que os próximos resultados finais se limitem ao número de gols!
More Ventura. Judaísmo é atitude e Paz!



quarta-feira, 14 de março de 2012

Matsá - Significado e simbologia.


O maior símbolo material da comemoração de Pessach, a páscoa judaica, é a Matsa, o pão não fermentado.
Durante oito dias substituímos nosso delicioso pãozinho francês por este crocante pão bíblico, fazendo com que nos recordemos do êxodo de nossos antepassados da escravidão egípcia, não somente na cabeça e no coração, mas também no estômago.

Os motivos desta substituição são três:

1-Relembrar o sofrimento de nossos antepassados:
Durante a escravidão nossos ancestrais eram alimentados pelos egípcios com a matsá, por se tratar de um alimento barato e fácil de se fazer. Por este motivo, a matsá também é chamada de pão da pobreza.

2-Cumprir o mandamento de comer o sacrifício pascal com Matsá e Maror – Ervas amargas:
-No Shabat – Sábado – anterior ao Êxodo, Moises informara ao povo de que em agradecimento aos milagres Divinos eles deveriam fazer a oferenda de um cordeiro, cuja carne deveria ser ingerida juntamente com ervas amargas e Matsá. Como é sabido, o sangue deste cordeiro foi passado nos batentes das portas dos filhos de Israel para que a praga da morte dos primogênitos não penetrasse em suas casas.

3-Recordarmos da pressa com a qual nossos pais bateram em retirada das terras do Nilo.
-Em seus últimos minutos de Egito, nossas tataravós estavam esperando pacientemente o fermentar da massa que prepararam para fazer pão. Devido a pressa, porem, tiveram que assar a massa antes de fermentar e o que foi que saiu do forno? A velha e conhecida Matsá!

Mensagem do Zohar - Kabbalah:
Vocês já perceberam que em sua essência o pão e a matsá são a mesma coisa?
Ambos são feitos exatamente pelos mesmos ingredientes: Agua e farinha!
Então qual é a diferença entre eles? A aparência, pois devido ao descanso de sua massa, que fermenta e cresce, o pão incha ao ser assado, enquanto a matsá, cuja massa é inserida no forno antes de fermentar, mantém o mesmo tamanho que tinha antes de ser assada, não aparentando ser nada mais do que realmente é!

Este é o ensinamento e a mensagem geral da comemoração de Pessach:
A verdadeira liberdade se alcança através da busca da essência e da simplicidade, que pautam os verdadeiros valores espirituais que devemos seguir, enquanto o culto à aparência e a superficialidade, vazios como o ar que incha o pão, nos escravizam fazendo-nos vítimas e servos dos prazeres descomedidos e da necessidade de impressionarmos as opiniões alheias.      
Para não cair no ritualismo vazio, que também escraviza: Questione, estude, sinta e cumpra!
Uma boa libertação! Pessach Casher VeSameach!
More Ventura! Judaísmo é atitude!   

terça-feira, 6 de março de 2012

Não volto mais!

Ola meu querido amigo como você está? Eu graças a D’us estou muito bem e confesso que também estou com muitas saudades. Imagino que você tenha tomado conhecimento de minha viagem a Israel, mas mesmo assim te peço desculpas pela falta de notícias.
Prometo que não sumirei de novo e vou compensar o meu “apagão ” dando duas novidades de uma só vez:
A primeira novidade, que talvez lhe choque um pouco, é que o seu velho amigo More Ventura nunca mais voltará.
A segunda novidade é que eu já cheguei ao Brasil.
O que? Você não entendeu? Então vou explicar:
Sabe aquelas experiências pelas quais passamos em nossas vidas após as quais podemos dizer que não somos mais os mesmos?
O casamento, ou o nascimento de um filho são bons exemplos disso. Eu  me lembro muito bem da sensação de metamorfose que senti no dia em que meu querido filho Nathan, meu primogênito, nasceu.
Foi como se o antigo eu tivesse morrido e um novo eu, o pai e provedor, tivesse nascido em seu lugar.
Desta vez a sensação que experimento é parecida, pois as vivências que tive nos últimos treze dias durante os quais estive em Israel me tocaram de tal forma que não somente fortaleceram minhas antigas convicções, como também me acrescentaram novas e poderosas percepções, fazendo com que me sinta uma nova pessoa.
Israel é uma verdadeira lição de vida! Seu povo alem de forte e valente, é também muito acolhedor. Me senti parte de uma grande família, com irmãos de todas as idades e realidades, desde velhos chasidicos do bairro ortodoxo de Meah Shearim, até jovens laicos num pub em Tel Aviv.
A coexistência que se vê no dia a dia é impressionantemente diversa do que a mídia quer nos fazer crer, e muitos valores de caridade e amor ao próximo são vivenciados nas ruas e não somente nas sinagogas e instituições de caridade.
A lei é obedecida e os serviços são de alto nível.
O valor que se dá a cultura é algo soberbo e a vitalidade e a vontade de viver que enxergamos na juventude é vibrante e contagiante.
A mão de Deus é obvia! Acontecem coincidências demais para serem chamadas simplesmente de coincidências.
Muitas foram as experiências que me marcaram, mas neste momento de ajuste de meu relógio biológico ao fuso horário, vou ter que me restringir ao que já escrevi, pois minha mente está um pouco confusa e se me faz difícil concatenar as idéias em palavras.
Amo Israel e também amo muito o Brasil, por isso não estou de volta... Estou aqui! 
Estou aqui para continuar ensinando e atuando, porem com uma vontade renovada e multiplicada, pois testemunhei o quanto é possível realizar quando se tem organização, meios, vontade e acima de tudo a benção de Deus em nossas ações.
Muito obrigado amigo e um grande abraço!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Recebi uma carta de Deus!

Amigo, você sabe o que é uma carta?
Carta é o e-mail de antigamente. Funcionava assim: Você pegava um papel, um lápis e digitava o conteúdo à mão. Ao invés de clicar no “Enviar”, você tinha que levá-la a uma “casinha” chamada correio, onde depois de selada e carimbada, ela viajava de trem ou de navio até chegar ao seu destino. Muitas vezes a pobrezinha se perdia, se atrasando ou até mesmo se perdendo no meio do caminho.
O que vou te contar agora amigo, é a história de uma estranha correspondência que enviei “sem querer” por um sistema muito mais rápido do que o das cartas e até mesmo do que o do e-mail e que foi respondida por dois remetentes ao mesmo tempo, sem nenhuma confusão ou extravio.
O caso foi assim. Certa manhã de inverno, enquanto estava na Yeshiva – seminário rabínico – em Jerusalém, depois de ler o salmo de número vinte e três em hebraico - O senhor é meu Pastor e nada me faltará - mandei a seguinte mensagem para nosso Querido e Amado Pai:
-Deus! Eu acho este salmo lindo, mas ainda não compreendo tão bem o hebraico. Eu gostaria tanto de ter uma tradução dele em português...
-Após mandar esta frase, voltei à leitura dos salmos. O dia era de neve forte, como não se via há quarenta anos. As ruas e as estradas estavam interditadas e as “águas tranqüilas” estavam congeladas, mas para o “Carteiro” com C maiúscula nem mesmo o “vale da morte” significa um obstáculo e, portanto minha mensagem foi enviada. Para onde? Para quem? Eu não tinha idéia...
Depois de uns sete dias, congelado feito um sorvete, após uma jornada de estudos Talmúdicos, entrei em meu quarto onde vi repousando sobre meu travesseiro uma carta:
-Ah! Que bom, meus pais escreveram! – Raciocinei satisfeito enquanto tirava meu chapéu e alisava a minha barba:
-Ué? Que estranho a carta veio de Jundiaí? Será que meus pais estão passando uns dias no sítio do tio Luiz? – Pensei após ver o endereço de origem da mesma.
-Mas a grande surpresa veio quando li o nome do remetente:
Elias dos Santos.
Este era o nome do caseiro do sítio, um senhor evangélico com quem eu passava horas a fio conversando sobre religião, valores e natureza, enquanto capinávamos as ervas daninhas que prejudicavam as plantações.
Com ele, com seus filhos e netos afro-descendentes, aprendi que o convívio entre pessoas de diferentes etnias e realidades só tem a contribuir para a nossa formação e evolução como seres humanos.
 Bem... Se o recebimento da carta me deixara feliz, agora que vi que ela era de Seu Elias, fiquei ainda mais empolgado e curioso com seu conteúdo, então fui logo abrindo e foi aí que a grande e maravilhosa surpresa se deu:
O pedido que eu fizera na gelada Jerusalém, há somente uma semana, atravessara a neve da cidade Santa, as águas tranqüilas do mediterrâneo e do Atlântico e chegara aos verdes pastos de Jundiaí:
A carta/resposta de Deus e do seu Elias dizia o seguinte:
“Meu querido amigo Gilberto, estou te enviando um salmo, guarde o em tua carteira para que te traga proteção. De seu amigo Elias”:

                                                
Está história, meu amigo leitor, me abriu os olhos para duas realidades profundas: A de que a fé na presença de Deus deve ser vivida de forma concreta e não somente suposta ou pregada e a de que por trás da diversidade cultural e religiosa que divide os seres humanos, existe uma unidade eterna e que deve ser cada vez mais revelada, pois é ela e somente ela que vai trazer a verdadeira paz a humanidade: A de que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai.

Shalom!
More Ventura! Judaísmo é atitude!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Comentários de uma ex-criança sobre o "Pinheirinho."



                     


Comentários de uma ex-criança sobre a matéria de um jornal a respeito da “desocupação” da favela do Pinheirinho.

“Desocupação da favela do Pinheirinho deve ser concluída nesta quarta...”
Quando eu era pequeno, minha avó Raquel gostava de pegar pequenos pinhos que caiam dos pinheiros e usá-los como suporte para as velas do Shabat. Naquela época era isso que chamávamos de PINHEIRINHO.

“Está na etapa final o trabalho de demolição das casas...”
Quando eu era pequeno, enquanto esperava meu pai voltar do trabalho, eu sempre imaginava o quanto este devia ser construtivo e benéfico. Naquela época não poderia supor que um dia a palavra trabalho poderia ser associada à destruição de casas habitadas por adultos e crianças.

“A operação de derrubada das casas transcorre sem problemas com os ex-moradores. Poucos ainda acompanham os trabalhos.”
Quando eu era pequeno, chamava o escuro e o medo que eu tinha de fantasmas de grandes problemas. Não sei nem como chamaria a derrubada de nossa casa, ainda mais se estivesse acontecendo na minha frente e na frente de meus pais e irmãos.

“A polícia também apreendeu, dentro da favela, quatro veículos, entre eles uma motocicleta de luxo parcialmente desmontada.”
Quando era pequeno aprendi com meus pais que não podia concluir que um grupo de pessoas era mau só por causa do que uma minoria delas fazia. E também aprendi com minha fessora de matemática que para se roubar quatro veículos e uma moto, uma ou duas pessoas já seriam o suficiente!

“o terreno deverá ser entregue à massa falida da empresa Selecta, do ex-investidor Nagi Nahas.”
Quando era pequeno, ouvi pela primeira vez que um homem podia roubar muito dinheiro, mesmo sendo rico e chique e que depois de pagar para a polícia, podia ser “desculpado” de seus erros, deixando assim de ser preso e podendo voltar para sua luxuosa casa.


Quando eu cresci, aprendi que para liquidar suas dívidas, o homem que pagou para a polícia para poder voltar para sua casa, teve o direito de derrubar as casas de um monte de pais, mães e filhos que não tinham mais onde morar.

Quando eu cresci, aprendi que Pinheirinho não servia mais pra nome de enfeite...


Quando aprendi que Pinheirinho não podia mais ser nome de enfeite, aprendi eu que não podia mais ser criança...




More Ventura!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Judaísmo - São Paulo, Mazal Tov!!!




Dia vinte e cinco de Janeiro, aniversário de São Paulo.
Acabei de voltar do “Açaí”, onde encontrei os meus amigos Benjamim e Vania Handfaz,  pais do Alexandre, meu amigo e aluno de Bar Mitzvah.
Entre pratos de Açaí e canudos de água de côco e ao som da torcida do timão que joga aqui perto no estádio do Pacaembu, os amigos me contaram uma história digna do aniversário de nossa cidade:
-A filha de nosso primo Jayme – Corinthiano roxo -  estava passeando com a sua avó, quando cruzou com outra dupla de avó e neto. A avó número dois, ao ver nossa priminha, não se conteve e disse:
-Puxa vida! Que menina linda! Loirinha de olhos azuis!
-Seu neto também é lindo – Respondeu a orgulhosa avó - Que lindos cabelos e olhos negros!
-Obrigada, ele é árabe puro!
-Árabe puro... Que maravilha! A minha netinha é judia pura!

-Em outros cantos do mundo este seria um possível ensejo para uma bela discussão, mas aqui em São Paulo, terra, ou melhor, asfalto de diversidade, é diferente:

-Pois então... Podemos acertar o casamento? – Disse a avó judia.
-Claro! Por que não? - Respondeu a avó árabe.
Após mais uns minutos de descontraída conversa, as duas se despediram com beijos e cumprimentos.
Alguns passos depois, nossa priminha, depois de se certificar de que já estava a uma distância segura do “primos árabes”, se dirigiu à avó com uma voz grave e expressando preocupação no olhar, disse:
-Vó! Como a senhora falou aquilo de eu me casar com ele? Você esqueceu o que a gente é? Ele é o contrário da gente!
-Você está falando isso por que ele é árabe?
-Não vovó! Você não viu a camiseta dele? Ele torce para o São Paulo!

Viva São Paulo! Viva o diálogo! Viva a Paz!
More Ventura!


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Judaísmo - Sentado com Deus: Na mesa do Bar!



Certo dia eu estava sentado à mesa do bar de um animado espaço judaico, conversando com dois rabinos grandes amigos meus. Conosco estavam sentados alguns jovens, ouvintes curiosos de nossa conversa que reunia passagens Talmúdicas, bíblicas, histórias pessoais e brincadeiras de amigos.
Quem não conhece nossa amizade, porem, pode se assustar ao compartilhar conosco de alguma discussão, pois quando argumentamos a respeito de algum ponto de vista que nos importa, cumprimos, de forma lúdica, o dito talmúdico que diz:
“Estudiosos defendendo seus pontos de vista são veementes como inimigos numa batalha, mas não se apartam dali até que façam as pazes.”
Nossas discussões costumam ser inflamadas, porem depois que as concluímos ficamos somente com as conclusões importantes enquanto rimos e nos divertimos as custas de nossas bravatas, gestos e posturas exaltadas.
Mas... Voltando à mesa do bar:
Enquanto “debatíamos papo”, percebi que na mesa ao lado havia um jovem solitário que nos observava de modo melancólico.
Ver o contraste entre nossa animação e sua solidão me deu pena, então perguntei seu nome, etnia, classe social, interesses, e etc, de modo a incluí-lo em nossa conversa.
Alguns “lances” mais tarde, já me sentindo mais íntimo do jovem, questionei o por quê de sua aparência de desânimo, ao que ele respondeu:
-Estou triste e confuso. Não sei se Deus está feliz com as minhas atitudes.
Amigo leitor, sabe aquelas cenas de televisão nas quais alguém fala algo inesperado e todos os que estão ao seu redor ficam lhe observando como se estivessem congelados?
Pois é! Foi assim que ficou o ambiente:
-Todas as luzes e câmeras ficaram focadas no rapaz. – A vida ao redor havia se reduzido ao seu nível mínimo: respirações, batimentos cardíacos e olhares. Estávamos como que em estado vegetativo.
-Depois de me reanimar, reanimaei os meus  “vegetandos amigos” através de uma desfibriladora palavra, com a qual questionei o rapaz:
-Amigo, você não me parece ter o perfil dos maiores pecadores para estar tão preocupado! Ou.......... Tem?
-Não...
-Então por que está tão preocupado?
-É por que não sei se estou no caminho certo...
-E você está tentando?
-Sim, mas não sei se Deus está feliz comigo! Venho nas aulas, cumpro os preceitos, mas...
-Amigo , você acha que se você fizer alguma coisa errada sem querer, seus pais vão te compreender?
-Sim, é claro!
-E por que você acha que Deus é menos compreensível do que eles?
-Hã?
-Se você expuser a uma psicóloga as suas falhas, você acha que ela vai ser compreensiva, ou vai te condenar?
-Vai ser compreensiva!
-E se for a melhor psicóloga do mundo?
-Vai ser mais compreensiva ainda, pois vai ser mais consciente das minhas limitações e fraquezas.
-E você acha que a compreensão é uma virtude ou uma fraqueza?
-Virtude!
-Então por que você acha que Deus não compreenderia sua busca e suas limitações? Teria Ele menos virtudes do que sua psicóloga?
Amigo leitor, sabe aquelas cenas de televisão nas quais alguém fala algo inesperado e todos os que estão ao seu redor ficam lhe observando como se estivessem congelados?
Pois é! Foi assim que ficou o ambiente:

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Judaísmo - Jejum de 10 de Tevet - Vamos estraçalhar o inimigo!!



Dia Dez do mês de Tevet.

Neste data, a aproximadamente 2500 anos, os babilônios, sob a batuta do imperador Nabucodonosor, deram início ao cerco de Jerusalém. Os motivos que os levaram a fazer isso, diferentemente do que muitos insistem em ensinar, não foi o anti-semitismo, nem o ódio a Torah, mas sim, a busca de riquezas e domínios territoriais.

Esta “política econômica”, assim como em nossos dias, já era muito difundida naquela época. A única diferença é que naqueles tempos não havia necessidade de se inventar pretextos bonitos como os que são forjados hoje em dia para se abocanhar as riquezas alheias. Naqueles dias era assim:

O país dominado deu a grana para o dominador? Beleza! Não deu? Dançou!
E olha que o “Nabuco” ainda foi paciente, pois foi somente depois de ter trocado dois de nossos reis que se negaram a lhe pagar os (in)devidos tributos, que ele finalmente mandou seu exército dominar o reino de Judah.

Já em território Babilônico, os judeus em sua maioria, se ajeitaram muito bem, com vários deles se tornando ministros e conselheiros do próprio imperador. Os mais famosos destes foram Mishael, Hanania, Azaria e o profeta Daniel.

A adaptação dos patrícios às terras de “Interlagos” – Mesopotâmia - foi tão boa, que anos mais tarde, quando Coresh, o imperador Persa conquistador da Babilônia, postou a eles a possibilidade de retornarem à sua pátria, poucos a curtiram e a compartilharam, com a maioria preferindo ficar nas terras de seus conquistadores.

Bem amigos... então... Se nem os conquistadores e nem o exílio foram tão cruéis, qual deve ser o nosso foco neste jejum? Sobre o que devemos nos lamentar neste dia?
                                                     
Para responder a esta questão, trago uma passagem do Talmud:

“Nabucodonosor não destruiu o Templo, ele apenas remoeu farinha moída, pois o verdadeiro templo, ou seja, a sua essência espiritual, já havia sido destruída pelo próprio povo judeu.” (Que abandonou os valores espirituais e sociais de sua própria cultura, em troca dos valores materialistas dos povos vizinhos).

A resposta a pergunta anterior, à luz desta citação, é simples: O foco deste jejum e de nossas lamentações e lutas neste e em todos os outros dias devem ser os nossos maiores e mais perigosos inimigos, os inimigos internos, que nos enfraquecem como indivíduos e como grupo, escancarando nossas portas para todo tipo de invasor ou inimigo, sejam este drogas, racismo, miséria, tristeza e etc.

Se queremos ser fortes de verdade... Antes de olharmos as falhas alheias, vamos nos focar em consertar os nossos próprios defeitos e em reforçar as nossas virtudes, reconstruindo assim o maior de todos os Templos, de todos os Tempos:
A alma e o Espírito do ser humano!
Um grande abraço! More Ventura!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Papa Joao Paulo II: Catolico Ñ pode ser anti-semita!










Uma vez uma colega de trabalho começou a falar muito mal dos judeus, o que me deixou bravo e constrangido. 
Perguntei a ela qual a religião que praticava, ao que ela respondeu: 
-Sou católica Apostólica Romana!
-Então -  Disse eu -  Espere um pouquinho que vou te colocar em contato com o seu líder!
-Ela achou que eu estava falando sobre a nossa "patroa" judia e começou a tremer.
-Não trema não amiga... Acho que o Papa deve ser mais compreensível do que você. Você não respeita o Papa? 
-Claro que respeito! O católico que não o segue deve ser excomungado! Mas o que o Papa tem a ver com nossa conversa?
-Tudo! E vê se da uma lidinha aqui, por que você ta correndo o risco de ser excomungada!

JOÃO PAULO II
DISCURSO DO SANTO PADRE
 DURANTE A VISITA AO MEMORIAL "YAD VASHEM"
Jerusalém,de Março de 2000

As palavras do antigo Salmo brotam do nosso coração:
"Estou como um objecto perdido.
Ouço as calúnias de muitos,
e o pavor me envolve!
Eles conspiram juntos contra mim
e tramam tirar-me a vida.
Quanto a mim, Javé,
eu confio em Ti, e digo:
"Tu és o meu Deus!"" 
(Sl 31, 13-15).
1. Neste lugar da memória, a mente, o coração e a alma sentem uma extrema necessidade de silêncio. Silêncio para recordar. Silêncio para procurar dar um sentido às recordações que retornam impetuosas. Silêncio porque não há palavras bastante fortes para deplorar a terrível tragédia do Shoah. Eu mesmo tenho recordações pessoais de tudo aquilo que aconteceu quando os nazistas ocuparam a Polónia durante a Guerra. Recordo os meus amigos e vizinhos judeus, alguns dos quais morreram, enquanto outros sobreviveram.
Vim a Yad Vashem para prestar homenagem aos milhões de Judeus que, privados de tudo, em particular da sua dignidade humana, foram mortos no Holocausto. Passou mais de meio século, mas as recordações permanecem.
Aqui, como em Auschwitz e em muitos outros lugares na Europa, somos afligidos pelo eco dos lamentos massacrantes de um grande número de pessoas. Homens, mulheres e crianças gritam-nos dos abismos do horror que conheceram. Como podemos deixar de prestar atenção ao seu clamor? Ninguém pode esquecer ou ignorar quanto aconteceu. Ninguém pode diminuir a sua dimensão.
2. Queremos recordar. Mas queremos recordar para uma finalidade, ou seja, para garantir que o mal jamais prevalecerá, como aconteceu com milhões de vítimas inocentes do Nazismo.
Como pôde o homem provar um tal desprezo pelo homem? Porque chegou ao ponto de desprezar a Deus. Só uma ideologia sem Deus podia programar e levar a termo o extermínio de um inteiro povo.
A honra prestada pelo Estado de Israel no Yad Vashem aos "exactamente gentios", por terem agido de modo heróico para salvar judeus, às vezes até com a oferta da própria vida, é uma demonstração de que nem sequer na hora mais sombria todas as luzes se apagaram. Por isto os Salmos e a Bíblia inteira, embora conscientes da capacidade humana de fazer o mal, proclamam que não será o mal que terá a última palavra. Do abismo do sofrimento e da dor, o coração do crente clama:  "Javé, eu confio em Ti, e digo:  "Tu és o meu Deus!"" (Sl 31, 14).
3. Judeus e cristãos compartilham um imenso património espiritual, que deriva da auto-revelação de Deus. Os nossos ensinamentos religiosos e as nossas experiências espirituais exigem que vençamos o mal com o bem. Recordamos, mas não com algum desejo de vingança nem como um incentivo ao ódio. Para nós, recordar significa orar pela paz e a justiça e empenhar-nos pela sua causa. Só um mundo em paz, com justiça para todos, poderá evitar que se repitam os erros e os terríveis crimes do passado.
Como Bispo de Roma e Sucessor do Apóstolo Pedro, garanto ao povo judeu que a Igreja católica, motivada pela lei evangélica da verdade e do amor e não por considerações políticas, sente-se profundamente entristecida pelo ódio, pelos actos de perseguição e pelas manifestações de anti-semitismo cometidas contra os judeus por cristãos em todos os tempos e lugares. A Igreja rejeita qualquer forma de racismo como uma negação da imagem do Criador inerente a todo o ser humano (cf. Gn 1, 26).
4. Neste lugar de solene memória, rezo com fervor para que a nossa tristeza pela tragédia vivida pelo povo judeu no século XX, conduza a uma nova relação entre cristãos e judeus. Construamos um futuro novo no qual já não haja sentimento antijudeu entre os cristãos, nem sentimento anticristão entre os judeus, mas sim o respeito recíproco requerido àqueles que adoram o único Criador e Senhor e olham para Abraão como o nosso pai comum na fé (cf. Nós recordamos:  uma reflexão sobre o Shoah, V; cf. L'Osserv. Rom., ed. port. de 21/3/98, pág. 8, V).
O mundo deve prestar atenção à advertência que provém das vítimas do Holocausto e do testemunho dos sobreviventes. Aqui em Yad Vashem, a memória continua viva e ardente na nossa alma. Ela faz-nos bradar: 
"Ouço as calúnias de muitos, e o pavor me envolve!
Javé, eu confio em Ti, e digo:  "Tu és o meu Deus!"" (Sl 31, 13-15).

Ao terminar a leitura, com os olhos marejados, a mulher me pediu desculpas e percebeu o quanto seu antigo anti-semitismo, era na verdade, anti-Catolicismo e Anti-“Religiosismo”!
Viva a cultura de Paz e a coragem de dialogar!
More Ventura!

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Abraços! 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Judaísmo - Nao gosto de briga, mas tambem nao fujo!




“Que falta de respeito e reconhecimento!”
Foi o que eu pensei hoje, ao ter a passagem negada por uma mulher, ao dirigir minha viatura enquanto vinha para o quartel, porem, logo me veio um segundo pensamento, desta vez mais positivo e otimista: Pelo menos ela não tem medo de nós policiais e nos vê como iguais! Melhor assim, do que se nos desse passagem por medo!
Esta foi uma das varias surpreendentes e sensíveis colocações que ouvi em minha agradável conversa com o Major Wanderlei Barbosa Filho, comandante da P.M., e com o capitão P.M. Rogério, os quais fizeram questão de me receber após ouvir a situação absurda pela qual minha esposa e eu passamos anteontem nas mãos de um policial, logo após termos sido discriminados por uma mulher, devido a nossa origem judaica.
Preocupado, em esclarecer que a reação equivocada do policial não fazia parte da conduta habitual da policia, o Major disse:
 “Meu amigo, eu quero lhe explicar algumas coisas a respeito de como funciona nosso trabalho, porque muitas pessoas nos julgam sem conhecer nossa realidade...”
Após as explicações o Major admitiu:
“...Eu mesmo não sabia nada a respeito de sua comunidade, confundia judeu com israelense, até que conheci o Ilan Ben Avram, chefe da segurança da Federação Israelita de São Paulo, que me explicou a diferença e o significado de cada termo. Hoje tenho muito respeito e admiração por sua comunidade!”
Após ouvir as explicações de meu novo amigo, reiterei o valor que dou ao trabalho da polícia e afirmei não ter julgado toda a corporação pela infeliz atuação de um indivíduo isolado.
Destaquei varias situações nas quais fui ajudado por policiais, entre elas uma das mais emocionantes de minha vida, quando depois de se perder na saída de um jogo do Santos no ano passado, meu filho foi trazido para nossa casa, são e salvo por um policial, muito solícito e simpático.
Amenidades à parte, estou certo que depois desta conversa, graças a intervenção de meu amigo Ilan da Federação, certamente o policial que nos destratou não ficará impune. Não que eu queira simples vingança ou algo do tipo, o que quero é o fim do preconceito e da discriminação. Não somente do anti-semitismo, mas de todo tipo de preconceito, pois somente desta forma poderemos almejar a tão sonhada paz.
O major Barbosa e o Capitão P.M. Rogerio se despediram de mim falando que apesar de o ensejo ter sido desagradável, ao menos tínhamos algo grandioso para comemorar: O início de uma nova amizade.
Quando eu estava quase saindo de sua sala, ao observar as estantes, “por acaso”, me deparei com um objeto daqueles que... Nos mostram que estamos no caminho certo:
Um pequeno quadro numa prateleira lateral contendo a tradicional Benção para o Trabalho, escrita em português e Hebraico!
Fiz questão de tirar uma foto da placa junto ao Major Barbosa, agradecendo a Deus pelo sinal e pedindo a Ele que aquelas bênçãos escritas na madeira se concretizassem em sua vida e em sua importante missão!
































Para Compreender o que causou este encontro, leia o texto do link a seguirhttp://moreventura.blogspot.com/2011/12/hoje-me-aconteceu-algo-inacreditavel-ao.html

sábado, 3 de dezembro de 2011

Seu judeu filho da P.......atria!



Certa vez, num ensolarado e agradável dia, estava eu caminhando inocentemente pela mais Paulista das avenidas, quando passou por mim um moço mal encarado, loiro de olhos azuis. Talvez um pretenso membro da suposta raça ariana.
O moço cravou nos meus, até então distraídos e felizes olhos, um venenoso e desprezível olhar, escoltado na linha de frente por uma primeira e incisiva fala:
-Judeu! Judeu! Ah ah ah!
-Não sei o que transitava na cabeça blindada daquele sujeito, mas imagino que a última coisa que por ali passaria seria a idéia de que o histórico sofredor, perseguido e vítimizado judeu se viraria para continuar a “conversa”:
-Pois não  –  Respondi-lhe num tom sereno, escoltado por um olhar desafiador.
-Você fala hebraico? – Perguntou-me o rapaz, desorientado pelo contrapé.
-Sim eu falo, e você?
-Entrincheirado num sorriso arrogante, o mocinho disparou uma resposta:
-Eu não falo hebraico. Eu sou BRASILEIRO!  - Uma desagradável rajada de gargalhadas seguiu a frase.
-Glup! Ali estava eu, do lado de minha própria casa sendo alvo da bi-milenar acusação de estrangeiro, normalmente acompanhada pelos adjetivos de parasita, explorador, traidor e infiel à pátria.  
Devo confessar a você, amiga ou amigo leitor, que este golpe me machucou, pois sei que esta mesma acusação vitimou, em tempos idos, muitos de meus antepassados.
Enquanto o rapaz observava o efeito que seu ataque produzira em mim, eu me recompus e rebati:
-Pois saiba, meu rapaz, que eu também sou brasileiro, mas eu sou MAIS do que isso... não sou apenas brasileiro! ... Apenas brasileiro NÃO! Eu sou MAIS do que isso! Ah ah ah!
Eu sou Brasileiro e ....
Apreciando o olhar desarmado e a boca escancarada do meu oponente, bombardeei:

-Corinthiano!

O rapaz não se moveu. Ficou inerte olhando para mim, ainda com a boca aberta.
Veja amigo, não digo isso como força de expressão, não! Ele realmente ficou parado me observando com os olhos arregalados e com a boca escancarada.
Que bom que a boca ficou aberta – Pensei. Talvez sirva de exemplo para a cabeça...Virei lhe as costas e me fui. (Depois de alguns passos, olhei para trás e para minha surpresa, vi o rapaz ainda parado na mesma posição!)
Enquanto condecorava a mim mesmo com a medalha de honra ao mérito, pensei:
-Eu sei que nós judeus temos uma história brasileira tão antiga quanto a história do Brasil. Conhecer esta história e divulgá-la, será a melhor forma de combater este tipo de acusação que acabei de ouvir. Porem, mais importante do que combater as acusações, será a contribuição que este conhecimento dará aos judeus brasileiros, aos milhões de brasileiros descendentes de judeus e ao povo brasileiro em geral, merecedor de conhecer uma importante parte de suas raízes, da origem de seus costumes e de sua história, que foram soterrados durante séculos, de baixo dos escombros da “historia oficial do Brasil”.



VIVA A HISTORIA JUDAICA DO BRASIL!!!

(Segue o vídeo do primeiro resultado artístico de minhas pesquisas, iniciadas com esta historia a 15 anos atrás: Por coincidência, nele consta o nome de Gaspar da Gama, co-descobridor do Brasil adotado por...VASCO DA GAMA!!)





Um grande abraço! More Ventura! Judaísmo é atitude!!!