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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Recebi uma carta de Deus!

Amigo, você sabe o que é uma carta?
Carta é o e-mail de antigamente. Funcionava assim: Você pegava um papel, um lápis e digitava o conteúdo à mão. Ao invés de clicar no “Enviar”, você tinha que levá-la a uma “casinha” chamada correio, onde depois de selada e carimbada, ela viajava de trem ou de navio até chegar ao seu destino. Muitas vezes a pobrezinha se perdia, se atrasando ou até mesmo se perdendo no meio do caminho.
O que vou te contar agora amigo, é a história de uma estranha correspondência que enviei “sem querer” por um sistema muito mais rápido do que o das cartas e até mesmo do que o do e-mail e que foi respondida por dois remetentes ao mesmo tempo, sem nenhuma confusão ou extravio.
O caso foi assim. Certa manhã de inverno, enquanto estava na Yeshiva – seminário rabínico – em Jerusalém, depois de ler o salmo de número vinte e três em hebraico - O senhor é meu Pastor e nada me faltará - mandei a seguinte mensagem para nosso Querido e Amado Pai:
-Deus! Eu acho este salmo lindo, mas ainda não compreendo tão bem o hebraico. Eu gostaria tanto de ter uma tradução dele em português...
-Após mandar esta frase, voltei à leitura dos salmos. O dia era de neve forte, como não se via há quarenta anos. As ruas e as estradas estavam interditadas e as “águas tranqüilas” estavam congeladas, mas para o “Carteiro” com C maiúscula nem mesmo o “vale da morte” significa um obstáculo e, portanto minha mensagem foi enviada. Para onde? Para quem? Eu não tinha idéia...
Depois de uns sete dias, congelado feito um sorvete, após uma jornada de estudos Talmúdicos, entrei em meu quarto onde vi repousando sobre meu travesseiro uma carta:
-Ah! Que bom, meus pais escreveram! – Raciocinei satisfeito enquanto tirava meu chapéu e alisava a minha barba:
-Ué? Que estranho a carta veio de Jundiaí? Será que meus pais estão passando uns dias no sítio do tio Luiz? – Pensei após ver o endereço de origem da mesma.
-Mas a grande surpresa veio quando li o nome do remetente:
Elias dos Santos.
Este era o nome do caseiro do sítio, um senhor evangélico com quem eu passava horas a fio conversando sobre religião, valores e natureza, enquanto capinávamos as ervas daninhas que prejudicavam as plantações.
Com ele, com seus filhos e netos afro-descendentes, aprendi que o convívio entre pessoas de diferentes etnias e realidades só tem a contribuir para a nossa formação e evolução como seres humanos.
 Bem... Se o recebimento da carta me deixara feliz, agora que vi que ela era de Seu Elias, fiquei ainda mais empolgado e curioso com seu conteúdo, então fui logo abrindo e foi aí que a grande e maravilhosa surpresa se deu:
O pedido que eu fizera na gelada Jerusalém, há somente uma semana, atravessara a neve da cidade Santa, as águas tranqüilas do mediterrâneo e do Atlântico e chegara aos verdes pastos de Jundiaí:
A carta/resposta de Deus e do seu Elias dizia o seguinte:
“Meu querido amigo Gilberto, estou te enviando um salmo, guarde o em tua carteira para que te traga proteção. De seu amigo Elias”:

                                                
Está história, meu amigo leitor, me abriu os olhos para duas realidades profundas: A de que a fé na presença de Deus deve ser vivida de forma concreta e não somente suposta ou pregada e a de que por trás da diversidade cultural e religiosa que divide os seres humanos, existe uma unidade eterna e que deve ser cada vez mais revelada, pois é ela e somente ela que vai trazer a verdadeira paz a humanidade: A de que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai.

Shalom!
More Ventura! Judaísmo é atitude!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Qual é o seu: Deus ou deus ?


                                     
“Ontem fui à academia fazer ginástica, quando uma mulher me ofendeu e me amaldiçoou pelo fato de minha religião, o judaísmo, não incluir a figura de Jesus como Deus, filho de Deus e Messias, dizendo que por causa disso o Criador, o qual cultuo me odiava e que eu herdaria as agruras e os tormentos indizíveis do inferno eterno."

Moré, o que você responderia a esta mulher?

-Ontem a noite um amigo do Face me mandou esta pergunta, e como um bom judeu, vou responder sua pergunta com exatamente outras três perguntas:    

Cara irmã – Tomo a liberdade de te chamar assim, pois de acordo com a visão religiosa fraterna na qual acredito, somos todos filhos do mesmo Deus e, portanto, irmãos, (mesmo que você insista no contrário, ou talvez ache normal imaginar seus irmãos queimando nas labaredas do inferno).

Quero te fazer três perguntas sobre as palavras que você endereçou ao nosso irmão na academia, (Alias, um lugar desaconselhável para alguém com seu aparente nível de zelo religioso):

1-Você realmente acredita que Deus, o Compreensível, o Piedoso, o Sábio, que é a Fonte de todo o Amor e Bondade existentes no mundo, que conhece as limitações de cada ser humano e a diversidade das culturas vai mandar alguém para o inferno eterno só por que enquanto o servia, chamava-o de um nome ou de um número “diferente” do que Ele supostamente consideraria ideal?

2-Você realmente acredita que o Piedoso e Bondoso Deus mandaria seres humanos que respeitam seus pais, irmãos e amigos, que praticam a caridade, que tratam os outros humildemente e que vivem na fé para virarem churrasco de um rodízio sem fim só por que o cultuaram da forma na qual foram educados desde sua infância?

3-Você realmente acredita, minha zelosa irmã, que Nosso Humilde Pai e Criador enviaria dois terços da humanidade, ou seja, bilhões e bilhões de almas, ao tormento e à tortura eterna, demonstrando desta forma, menos compreensão do que uma psicóloga, menos piedade do que uma simples criança e menos amor do que um simples pai?

Se suas respostas forem positivas, minha irmã, recomendo lhe que mude em suas preces o nome do deus o qual cultua, pois neste caso ele deve começar com a letra “d” minúscula, e não com a maiúscula, por se tratar de um nome Impróprio.

Alias, não sei se isto também vai desagradar o seu zelo,cara  irmã, mas preciso lhe informar mais uma coisa: Para nós judeus, só existe um Deus, o Todo Poderoso, Onisciênte, Onipresente, Piedoso e Compreensível Pai de toda a humanidade, que com certeza não é o mesmo que você mostrou cultuar!

Viva o diálogo inter religioso, Viva a cultura de Paz!
Religião sem amor e compreensão – seja La qual for – Não é religião!
Judaismo é atitude! More Ventura!