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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Qual é o seu: Deus ou deus ?


                                     
“Ontem fui à academia fazer ginástica, quando uma mulher me ofendeu e me amaldiçoou pelo fato de minha religião, o judaísmo, não incluir a figura de Jesus como Deus, filho de Deus e Messias, dizendo que por causa disso o Criador, o qual cultuo me odiava e que eu herdaria as agruras e os tormentos indizíveis do inferno eterno."

Moré, o que você responderia a esta mulher?

-Ontem a noite um amigo do Face me mandou esta pergunta, e como um bom judeu, vou responder sua pergunta com exatamente outras três perguntas:    

Cara irmã – Tomo a liberdade de te chamar assim, pois de acordo com a visão religiosa fraterna na qual acredito, somos todos filhos do mesmo Deus e, portanto, irmãos, (mesmo que você insista no contrário, ou talvez ache normal imaginar seus irmãos queimando nas labaredas do inferno).

Quero te fazer três perguntas sobre as palavras que você endereçou ao nosso irmão na academia, (Alias, um lugar desaconselhável para alguém com seu aparente nível de zelo religioso):

1-Você realmente acredita que Deus, o Compreensível, o Piedoso, o Sábio, que é a Fonte de todo o Amor e Bondade existentes no mundo, que conhece as limitações de cada ser humano e a diversidade das culturas vai mandar alguém para o inferno eterno só por que enquanto o servia, chamava-o de um nome ou de um número “diferente” do que Ele supostamente consideraria ideal?

2-Você realmente acredita que o Piedoso e Bondoso Deus mandaria seres humanos que respeitam seus pais, irmãos e amigos, que praticam a caridade, que tratam os outros humildemente e que vivem na fé para virarem churrasco de um rodízio sem fim só por que o cultuaram da forma na qual foram educados desde sua infância?

3-Você realmente acredita, minha zelosa irmã, que Nosso Humilde Pai e Criador enviaria dois terços da humanidade, ou seja, bilhões e bilhões de almas, ao tormento e à tortura eterna, demonstrando desta forma, menos compreensão do que uma psicóloga, menos piedade do que uma simples criança e menos amor do que um simples pai?

Se suas respostas forem positivas, minha irmã, recomendo lhe que mude em suas preces o nome do deus o qual cultua, pois neste caso ele deve começar com a letra “d” minúscula, e não com a maiúscula, por se tratar de um nome Impróprio.

Alias, não sei se isto também vai desagradar o seu zelo,cara  irmã, mas preciso lhe informar mais uma coisa: Para nós judeus, só existe um Deus, o Todo Poderoso, Onisciênte, Onipresente, Piedoso e Compreensível Pai de toda a humanidade, que com certeza não é o mesmo que você mostrou cultuar!

Viva o diálogo inter religioso, Viva a cultura de Paz!
Religião sem amor e compreensão – seja La qual for – Não é religião!
Judaismo é atitude! More Ventura!

                                        

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Papa Joao Paulo II: Catolico Ñ pode ser anti-semita!










Uma vez uma colega de trabalho começou a falar muito mal dos judeus, o que me deixou bravo e constrangido. 
Perguntei a ela qual a religião que praticava, ao que ela respondeu: 
-Sou católica Apostólica Romana!
-Então -  Disse eu -  Espere um pouquinho que vou te colocar em contato com o seu líder!
-Ela achou que eu estava falando sobre a nossa "patroa" judia e começou a tremer.
-Não trema não amiga... Acho que o Papa deve ser mais compreensível do que você. Você não respeita o Papa? 
-Claro que respeito! O católico que não o segue deve ser excomungado! Mas o que o Papa tem a ver com nossa conversa?
-Tudo! E vê se da uma lidinha aqui, por que você ta correndo o risco de ser excomungada!

JOÃO PAULO II
DISCURSO DO SANTO PADRE
 DURANTE A VISITA AO MEMORIAL "YAD VASHEM"
Jerusalém,de Março de 2000

As palavras do antigo Salmo brotam do nosso coração:
"Estou como um objecto perdido.
Ouço as calúnias de muitos,
e o pavor me envolve!
Eles conspiram juntos contra mim
e tramam tirar-me a vida.
Quanto a mim, Javé,
eu confio em Ti, e digo:
"Tu és o meu Deus!"" 
(Sl 31, 13-15).
1. Neste lugar da memória, a mente, o coração e a alma sentem uma extrema necessidade de silêncio. Silêncio para recordar. Silêncio para procurar dar um sentido às recordações que retornam impetuosas. Silêncio porque não há palavras bastante fortes para deplorar a terrível tragédia do Shoah. Eu mesmo tenho recordações pessoais de tudo aquilo que aconteceu quando os nazistas ocuparam a Polónia durante a Guerra. Recordo os meus amigos e vizinhos judeus, alguns dos quais morreram, enquanto outros sobreviveram.
Vim a Yad Vashem para prestar homenagem aos milhões de Judeus que, privados de tudo, em particular da sua dignidade humana, foram mortos no Holocausto. Passou mais de meio século, mas as recordações permanecem.
Aqui, como em Auschwitz e em muitos outros lugares na Europa, somos afligidos pelo eco dos lamentos massacrantes de um grande número de pessoas. Homens, mulheres e crianças gritam-nos dos abismos do horror que conheceram. Como podemos deixar de prestar atenção ao seu clamor? Ninguém pode esquecer ou ignorar quanto aconteceu. Ninguém pode diminuir a sua dimensão.
2. Queremos recordar. Mas queremos recordar para uma finalidade, ou seja, para garantir que o mal jamais prevalecerá, como aconteceu com milhões de vítimas inocentes do Nazismo.
Como pôde o homem provar um tal desprezo pelo homem? Porque chegou ao ponto de desprezar a Deus. Só uma ideologia sem Deus podia programar e levar a termo o extermínio de um inteiro povo.
A honra prestada pelo Estado de Israel no Yad Vashem aos "exactamente gentios", por terem agido de modo heróico para salvar judeus, às vezes até com a oferta da própria vida, é uma demonstração de que nem sequer na hora mais sombria todas as luzes se apagaram. Por isto os Salmos e a Bíblia inteira, embora conscientes da capacidade humana de fazer o mal, proclamam que não será o mal que terá a última palavra. Do abismo do sofrimento e da dor, o coração do crente clama:  "Javé, eu confio em Ti, e digo:  "Tu és o meu Deus!"" (Sl 31, 14).
3. Judeus e cristãos compartilham um imenso património espiritual, que deriva da auto-revelação de Deus. Os nossos ensinamentos religiosos e as nossas experiências espirituais exigem que vençamos o mal com o bem. Recordamos, mas não com algum desejo de vingança nem como um incentivo ao ódio. Para nós, recordar significa orar pela paz e a justiça e empenhar-nos pela sua causa. Só um mundo em paz, com justiça para todos, poderá evitar que se repitam os erros e os terríveis crimes do passado.
Como Bispo de Roma e Sucessor do Apóstolo Pedro, garanto ao povo judeu que a Igreja católica, motivada pela lei evangélica da verdade e do amor e não por considerações políticas, sente-se profundamente entristecida pelo ódio, pelos actos de perseguição e pelas manifestações de anti-semitismo cometidas contra os judeus por cristãos em todos os tempos e lugares. A Igreja rejeita qualquer forma de racismo como uma negação da imagem do Criador inerente a todo o ser humano (cf. Gn 1, 26).
4. Neste lugar de solene memória, rezo com fervor para que a nossa tristeza pela tragédia vivida pelo povo judeu no século XX, conduza a uma nova relação entre cristãos e judeus. Construamos um futuro novo no qual já não haja sentimento antijudeu entre os cristãos, nem sentimento anticristão entre os judeus, mas sim o respeito recíproco requerido àqueles que adoram o único Criador e Senhor e olham para Abraão como o nosso pai comum na fé (cf. Nós recordamos:  uma reflexão sobre o Shoah, V; cf. L'Osserv. Rom., ed. port. de 21/3/98, pág. 8, V).
O mundo deve prestar atenção à advertência que provém das vítimas do Holocausto e do testemunho dos sobreviventes. Aqui em Yad Vashem, a memória continua viva e ardente na nossa alma. Ela faz-nos bradar: 
"Ouço as calúnias de muitos, e o pavor me envolve!
Javé, eu confio em Ti, e digo:  "Tu és o meu Deus!"" (Sl 31, 13-15).

Ao terminar a leitura, com os olhos marejados, a mulher me pediu desculpas e percebeu o quanto seu antigo anti-semitismo, era na verdade, anti-Catolicismo e Anti-“Religiosismo”!
Viva a cultura de Paz e a coragem de dialogar!
More Ventura!

Gostou ? Comente e compartilhe, assim você vai ajudar a construir a verdadeira cultura de Paz!
Abraços! 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Judaísmo - Nao gosto de briga, mas tambem nao fujo!




“Que falta de respeito e reconhecimento!”
Foi o que eu pensei hoje, ao ter a passagem negada por uma mulher, ao dirigir minha viatura enquanto vinha para o quartel, porem, logo me veio um segundo pensamento, desta vez mais positivo e otimista: Pelo menos ela não tem medo de nós policiais e nos vê como iguais! Melhor assim, do que se nos desse passagem por medo!
Esta foi uma das varias surpreendentes e sensíveis colocações que ouvi em minha agradável conversa com o Major Wanderlei Barbosa Filho, comandante da P.M., e com o capitão P.M. Rogério, os quais fizeram questão de me receber após ouvir a situação absurda pela qual minha esposa e eu passamos anteontem nas mãos de um policial, logo após termos sido discriminados por uma mulher, devido a nossa origem judaica.
Preocupado, em esclarecer que a reação equivocada do policial não fazia parte da conduta habitual da policia, o Major disse:
 “Meu amigo, eu quero lhe explicar algumas coisas a respeito de como funciona nosso trabalho, porque muitas pessoas nos julgam sem conhecer nossa realidade...”
Após as explicações o Major admitiu:
“...Eu mesmo não sabia nada a respeito de sua comunidade, confundia judeu com israelense, até que conheci o Ilan Ben Avram, chefe da segurança da Federação Israelita de São Paulo, que me explicou a diferença e o significado de cada termo. Hoje tenho muito respeito e admiração por sua comunidade!”
Após ouvir as explicações de meu novo amigo, reiterei o valor que dou ao trabalho da polícia e afirmei não ter julgado toda a corporação pela infeliz atuação de um indivíduo isolado.
Destaquei varias situações nas quais fui ajudado por policiais, entre elas uma das mais emocionantes de minha vida, quando depois de se perder na saída de um jogo do Santos no ano passado, meu filho foi trazido para nossa casa, são e salvo por um policial, muito solícito e simpático.
Amenidades à parte, estou certo que depois desta conversa, graças a intervenção de meu amigo Ilan da Federação, certamente o policial que nos destratou não ficará impune. Não que eu queira simples vingança ou algo do tipo, o que quero é o fim do preconceito e da discriminação. Não somente do anti-semitismo, mas de todo tipo de preconceito, pois somente desta forma poderemos almejar a tão sonhada paz.
O major Barbosa e o Capitão P.M. Rogerio se despediram de mim falando que apesar de o ensejo ter sido desagradável, ao menos tínhamos algo grandioso para comemorar: O início de uma nova amizade.
Quando eu estava quase saindo de sua sala, ao observar as estantes, “por acaso”, me deparei com um objeto daqueles que... Nos mostram que estamos no caminho certo:
Um pequeno quadro numa prateleira lateral contendo a tradicional Benção para o Trabalho, escrita em português e Hebraico!
Fiz questão de tirar uma foto da placa junto ao Major Barbosa, agradecendo a Deus pelo sinal e pedindo a Ele que aquelas bênçãos escritas na madeira se concretizassem em sua vida e em sua importante missão!
































Para Compreender o que causou este encontro, leia o texto do link a seguirhttp://moreventura.blogspot.com/2011/12/hoje-me-aconteceu-algo-inacreditavel-ao.html

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ei! tem um Cristão No Meu Muro!



“Que absurdo... Um cristão?! Um cristão ajoelhado?! Um cristão ajoelhado aqui no Muro das lamentações?! Um cristão ajoelhado aqui no Muro das lamentações e bem na minha frente?! ... E justo nesta noite?!
Bem... Ele está pedindo e vai receber. Nem que sejam uns chutinhos simbólicos no traseiro, mas que vai receber vai... Humpf! Um cristão no Kotel... Na minha Casa! No meu País!”

O clima era quente, como costuma ser no mês de Av, principalmente em se tratando de Jerusalém, que no verão é acariciada pelas ressecadas mãos dos ventos desérticos, exoticamente chamados de Hamsin.
Justamente por ser tão ressecada a noite e por se tratar de um dia de jejum, eu havia passado uns quinze minutos no sanitário urinando. Na verdade se eu contar o tempo de espera na fila, devo ter permanecido ao todo, uns quarenta minutos ali. 
E que recinto caótico aquele! Fazia Jus à cidade mais sagrada do universo, famosa pela loucura per capta acima da média internacional.
Ah! Mas o que tem a ver o dia de Jejum e o clima seco com o longo tempo de permanência no ictório... ops! Mictório? (Desculpem, é a secura da boca!).
É que ao me preparar para o dia mais triste do ano, acabei exagerando na dose, bebendo mais do que devia! Foram uns três litros de água em meia hora. Quase tive um coma hidráulico!
Mas vamos deixar isso para La, porque nessa hora já havia terminado o “vazamento” e o meu problema já era outro, bem mais grave...
O  Cristão!
Não! Cristão não... É o Católico Apostólico RO-MA-NO!
É isso! Um cristão Romano... e são eles! Eles, os romanos, que são os responsáveis por esta tristeza toda. Eles é que são os culpados por este jejum e por este monte de gente aqui!
Por causa deles todos choramos: Choram homens, mulheres e crianças. Choram os judeus árabes-negros recém chegados do Yemen com seus compridos cachos laterais caindo sobre seus ombros.
Choram os judeus russos com seus gabardos de ceda escura e com os reluzentes Shtreimels de pele sobre suas cabeças. Choram os rabinos etíopes e seus jovens seguidores com suas vestes coloridas, enquanto são observados pelos judeus franceses, italianos e brasileiros, que choram ao serem observados pelos jovens soldados israelenses... que choram...
Hoje o verbo chorar é conjugado em todos os tempos, pessoas e modos. Nós nos lamentamos pela destruição do nosso templo, no ano setenta e pelo exílio de nosso povo. Enlutados aqui, exatamente em Jerusalém, estamos todos juntos, vivos e fortes, de volta a nossa terra ancestral... Lindo!






Não! Nada de lindo! Hoje é o dia nove do mês de Av e por causa disso tudo é horrível!
A variedade de pessoas, idiomas, tecidos, cores e cantos. Todos reunidos sob a soberania judaica ...Nada disso é lindo. Pelo menos hoje!
Bem... mas para ser sincero, devo confessar que hoje temos pelo menos uma coisa que não é horrorosa, e sim: Assombrosa, Absurda e Macabra:
O cristão.
Um... Cristão ajoelhado aqui e agora e eu... não vou deixar barato!
Não vou fazer igual aqueles árabezinhos do Shuk, que vão dando desconto, desconto, desconto, até o produto ficar quase de graça!

NÃO! Comigo não tem desconto, porque o meu produto é a nossa dignidade e nada vale mais do que isso!
Hum... deixa eu ir com cuidado. A cada passo que eu dou posso tropeçar em alguém. Hum... nunca vi este piso bi ou trimilenar tão lotado. Será que ele agüenta tanto peso?
-Mais um pouquinho, isso, só mais um pouquinho... Todo o cuidado é pouco para não machucar um dos MEUS... Pronto! Cheguei!
Agora só falta erguer o meu pé e:
-Hei man!  What are you doing here? Here is a jewish temple! – Espero que ele compreenda o inglês.
-Agora os pontapés!
-Ha! ha! Ótimo, ele está se sentindo incomodado, daqui a pouco vai se tocar e vai sair! Com este ato eu estou vingando os milhões de...
-Rapaz! Rapaz! Pare! O que você esta fazendo?  – Perguntou repentinamente para mim um senhor idoso de profundos olhos azuis cravados num esqualido rosto, emoldurado por uma barba branca, que lembrava a lã das ovelhas dos beduinos:
-Enquanto seu magro e trêmulo dedo indicador apontava para o jovem “cruzado”, sua boca falava firme e claramente:
-Tafsik... Hu Mitpalel. – Pare, ele está rezando.
-Assustado e com os olhos arregalados, como quem acorda de um pesadelo, olhei para o velho e para o rapaz, no qual percebi agora um irmão, abaixei a cabeça com vergonha e me calei, percebendo novamente a água sair, mas desta vez através de canais mais elevados... Não entendi exatamente o por quê, mas o que senti naquele momento, no topo do monte do templo e de baixo do céu estrelado... foi realmente...Sagrado!


Jerusalem – Yerushalaim – Yir Shalom, Cidade da Paz.

File:Jerusalem Kotel night 9082.JPG