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domingo, 25 de março de 2012

Milagres Acontecem!


Guerra Santa!
Mais um sanguinário governante usando sinicamente o poder bélico e a falsa religião para manipular, através do medo e do ódio, enormes multidões, impondo sobre elas sua visão de mundo megalomaníaca e cruel.
Mais um anjo da morte apontando suas sangrentas e mortíferas armas para a população civil de Israel, não se importando em distinguir soldados de idosos e de indefesas crianças de colo.
Qual será o resultado? Um massacre? Um banho de sangue?  
Mísseis preparados.
Discursos inflamados disparados.
Alianças costuradas.
Corações disparados.
Respirações ofegantes e um botão apertado: Fogo!
Dez botões apertados:
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Vinte:
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Trinta:
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!
Trinta e nove vezes o botão fora apertado...
E o resultado: Pânico! Incêndios! Ruínas! Fumaça e...

1-    ...Uma pobre mãe chorando, encontrando forças para continuar viva, pelo menos até o enterro do filho.
Seu bebê estava no abrigo subterrâneo quando este fora atingido por um míssil. Ela escapara, mas o bebê ficara soterrado. Agora, só lhe restava achar o cadáver e enterrar o fruto de seu ventre.

2-    ...Um prédio com centenas de moradores fora atingido por um míssil. Os moradores haviam sido avisados de que não deveriam descer ao abrigo subterrâneo, pois havia suspeita de que o míssil abrigasse componentes químicos letais. No final, o prédio e seu bunker foram ambos destruídos.

3-    ...Uma das grandes centrais de gás de Tel Aviv fora atingida por um míssil. O resultado foi obviamente indescritível.

4-    Dezenas de prédios e casas foram destruídos, escombros e ruínas para todos os lados, hospitais lotados e... e o bebe.....

O bebê foi achado e ele estava vivo!
Como assim?
Uma das colunas que sustentavam a casa onde o bebê se encontrava, se soltou com o abalo causado pelo míssil, caindo justamente sobre o batente de aço da porta do bunker, que também se soltara com a explosão, formando uma perfeita cobertura, a qual protegera o bebê até a chegada dos bombeiros que sob as palmas e lágrimas dos curiosos, o devolveram à exultante mãe!

E os moradores do prédio?
Se salvaram por um erro:
-Minutos antes do soar da sirene alertando sobre a iminente chegada do míssil, um boato enganoso, dizendo que os moradores deveriam descer ao bunker fora espalhado. Ao constatarem que este estava trancado, os aflitos moradores, se refugiaram no bunker do condomínio vizinho, que escapara da mortífera explosão.

-E a central de gás?
Dias antes de ser atingida, a central havia sido fechada para reformas, justamente por ter sido alvo de um vazamento. Por isso o estrago causado pelo míssil fora mínimo, indescritível perto do que teria sido se o gás não tivesse escapado!

Em relação as casas destruídas, ruínas e hospitais lotados, devo afirmar que tudo isso realmente aconteceu, porem as mortes e o banho de sangue previstos foram evitados nestes e em dezenas de outros casos que não cabem nesta página, pelas mesmas mãos que trancaram a porta de acesso do bunker do prédio atingido, que fizeram vazar o gás na central de Tel Aviv, dias antes do ataque e que apoiaram a coluna sobre o batente da porta salvando o pequeno bebê.

E aí, meu amigo? de quem você acha que são estas mãos?

Do mesmo autor do versículo bíblico que cita as últimas palavras do Faraó, antes de se afogar no Mar vermelho, após este se fechar sobre ele e sobre seus soldados!
Veja com seus olhos:
“E disse o inimigo, perseguirei, alcançarei, dividirei os despojos, meu espírito se encherá deles, desembainharei minha espada...”
Este versículo, segundo a nossa tradição, contem vários segredos sobre a história do povo judeu:
Um deles está nas letras iniciais de suas palavras:

As cinco primeiras letras de suas 5 primeiras palavras, coincidem: São todas Aleph, que pode ser compreendida também como Eleph, significando 1000. Somando as, temos o número 5000.

A sexta palavra deste versículo começa com a letra shin, que representa o número 300, a sétima começa com a letra tav, que vale 400, a oitava começa com Nun, que vale 50e a nona começa com Aleph, que aqui é contada por seu valor convencional: 1.

No total, somando as letras iniciais das palavras deste versículo, que fala sobre a salvação do povo de Israel das mãos do Faraó, obtemos o numero 5751, que é o número do ano da primeira guerra do Iraque, situação na qual todos os milagres citados anteriormente aconteceram!

E quer mais? Este código de letras que somam o número do ano de 5751, terminam justamente na palavra desembainhar, que em hebraico se diz Arik. Trocando a ordem das letras desta palavra, que palavra obtemos? Irak! O nome do país do agressor da vez!

Alem dos fatos que contei, muitos outros marcaram esta guerra, um deles foi o numero de "morto", diretamente por causa de mísseis - Apenas um - foram 39 mísseis! -  e a insistência de vários grandes rabinos em repetir que o lugar mais seguro do mundo continuava sendo Israel e que ali nada aconteceria.

Mais uma "coincidência"? 
No mesmo dia que marcara a rendição por parte do Iraque, nós comemoramos um salvação muito mais antiga e na minha opinião, menos miraculosa: A da história de Purim!
Adivinhem como festejamos em Israel a festa de Purim daquele ano?
Com as mascaras anti gás letal, usadas dias antes daquela nossa vitória sobre mais um derrotado Aman!

More Ventura! Judaismo é Atitude e Fé!


Ps: Que tenhamos muitos milagres, sem precisarmos de guerra!
      Que vivenciemos e participemos do maior e do mais esperado milagre da história: O estabelecimento Eterno da Paz entre os Seres humanos!

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Quinta Pergunta de Pessach

                                                                  

A quinta pergunta de Pessach.

Em um dos milhares de lares judaicos espalhados entre a Oiapoque e o Chuí, cercado por dezenas de chamas de fogo acesas em velas de azeite virgem, postadas sobre uma longa e lustrosa mesa de madeira, um bondoso e cansado pai tenta cumprir o mandamento bíblico de ensinar a seus filhos a história do êxodo dos Israelitas da escravidão do Egito, ocorrida há mais de três mil e quinhentos anos atrás:

-E então meus queridos filinhos, Vocês sabem ou não sabem o que é o chametz?
Sabemos, papai. Sabemos...
E vocês sabem por que comemos a erva amarga? O Maror?
Sabemos papai. Sabemos...
E sabem por quê...
-Papai! Nós já sabemos de tudo! - Responderam os filhos num desafiador tom de revolta - Sabemos por que comemos reclinados e sabemos por que mergulhamos as batatas na salmoura e o Sanduíche de Matzá na massa de maçã com nozes, ok?
-Mas... – pronunciou o pai entristecido, enquanto uma tímida lágrima lhe regava a enrugada face.
-Pai... Por favor, nós te amamos, porem não agüentamos mais estas suas perguntas de Pessach!
-Mas eu nem terminei de fazer a segunda e vocês já responderam as quatro! Deste jeito eu não vou conseguir cumprir com o...
-Nós já estamos cansados disso, pai! Já saímos do jardim de infância!
-Jardim de infância maninho?! Minha nora está grávida! Daqui a um mês eu serei avô! Fala sério...
-Que seja em boa hora, meu irmão! Eu ainda não sou avô, mas minha careca e minhas barbas brancas já estão me cobrando. Ou melhor, já estão cobrando os meus filhos! (Risos)
-Cuidado para não ficar para titio avô!
-(Gargalhadas).
-Vamos logo querido pai. Acabe logo com as suas explicações.  Queremos chegar às quatro taças de vinho! – Falou o mais velho dos irmãos, avô de um casal de gêmeos.
Com os olhos expressando decepção o pobre velho gritou:
-Meninos, eu ordeno que interrompam os comentários! Já compreendi a vossa insatisfação. Na realidade eu já havia previsto que isto aconteceria, portanto, apresentar-lhes hei uma nova pergunta: A enigmática e secreta “quinta pergunta”. Acho que já estão preparados para ela.
-Quinta pergunta? Que pergunta é essa papai? Não são somente quatro?
-É verdade! Só existem quatro perguntas. Do que o senhor está falando?
-Silêncio! – Gritou o pai trêmulo - Existe uma pergunta secreta. É mais um tabu do que uma pergunta. Um verdadeiro enigma.

Após alguns segundos de silêncio, marcados por preocupados e surpresos olhares, um dos filhos disse:
-Pai... Por favor, o senhor pode dizer qual é a pergunta?
-Fale logo, estamos ficando curiosos.
-Façam silêncio que eu revelarei – Disse o velho segurando uma garrafa.
-O que é isso? Uma garrafa?
- Não! Um elefante!
-Pare de gracinhas menino! Isto é uma garrafa e a grande pergunta está contida nela.
-Mas aí dentro só tem líquido.
-É um líquido preto.
-Parece que está estragado.
-Por que estragado?
-Ora! Você não viu que está borbulhando?
-Que estranho isto está parecendo...
-Uma poção mágica?
-Estou ficando assustado...
-É o elixir da vida?
-Um veneno?
-Não meus filhos! – Disse o pai - Isto é... Coca Cola!
-O quê? Coca Cola? Que maluquice, pai! O senhor não falou que dentro dessa garrafa tinha uma pergunta?
-Sim meu filho, tem mesmo e não é qualquer pergunta. É a pergunta das perguntas:

-Após meio minuto de suspense, exibindo um sorriso triunfal acompanhado de  um olhar perfurante, o pai revelou a tão esperada questão:
-“A Coca Cola é ou não é Casher Le Pessach?”
-O silêncio foi sepulcral. A pergunta, aparentemente insignificante, fora recebida como um soco no estômago dos velhos meninos, pois remetia às várias brigas e discussões que costumavam ter quando crianças, na época da comemoração pascal, devido a abstenção do “Refrescante sabor da vida”, a eles imposta por seus pais. (Já naquela época eles eram viciados na bebida).

-Mas está escrito na tampinha: – gritou descontrolado o filho do meio – “Bebida não fermentada!”.
Um flash back tomou conta dos irmãos e os ânimos se acirraram, trazendo antigas lembranças e velhos argumentos à tona. E como que para tornar o ambiente mais interessante e agitado, uma corrente de vento invadiu a sala, balançando bruscamente o grande lustre de cristais que pendia de sobre a mesa, fazendo com que emitisse agudos e cortantes sons.

-E então, meus filhos? É ou não é? – Provocou o sorridente pai.
-Bem, vejamos – Disse o caçula tentando aparentar calma – A Coca cola tem gás e talvez o processo para a obtenção do gaz seja...
-Para com isso, Eliezer! Que bobagem! O que o gás tem a ver com isso? – Disse o mais velho.
-Claro que tem a ver! Se for resultado de um processo de fermentação, deve ser proibido. Fermentou, é Chametz e ponto!
-Hum... parece que você tem razão.
-É, talvez faça sentido.

-Enquanto todos começavam a concordar com o argumento do caçula, o pai repetindo lentamente a seguinte frase, confundiu mais ainda a cabeça dos jovens senhores:
-“Nem tudo o que fermenta é chametz, nem tudo o que fermenta é chametz”.
-Como assim, pai? Nós aprendemos desde crianças que chametz é sinônimo de fermentado e por causa disso eu nunca coloquei nada que fosse fermentado em minha boca durante a festa de Pessach!
-Que pena, meu filho. Pensei que você iria tomar os quatro copos de vinho com a gente...
-Como assim, pai? O que o vinho tem a ver com isso?
-É fermentado! Vinho é fermentação pura!

Perplexidade! Essa é a palavra que melhor define o sentimento que tomou conta dos irmãos naquele momento. Afinal de contas, o velho pai tinha razão! E então... Seria o vinho proibido em Pessach? Mas... e os quatro copos? Como ficariam? Teriam nossos sábios errado ao incluí-lo na ceia pascal ou seriam eles tão dependentes da bebida bíblica que fizeram vistas grossas para poder incluí-la no Seder?

-Puxa vida papai... E então?  Como é que bebemos vinho em Pessach? Pode ser que erramos todos estes anos? Todos os judeus erraram? Moises errou? D”u...
 Após uma gostosa gargalhada o pai, satisfeito em ver seus filhos consultando-o assim como faziam em seus dias de infância, respondeu:
-Nem tudo o que fermenta é chametz, meus filhos. Esta é uma lição básica que aprendi quando criança, enquanto ainda estudava no cheider: Para um alimento ser considerado chametz, ele tem que ser feito de um dos cinco tipos de cereais, ou de seus derivados, ambos fermentados, com os quais pode ser feita a matzá!
-E que cereais são estes, pai?
-Trigo, cevada, aveia, espelta e centeio.
-Putz! E eu proíbo o leite na minha casa, por que pode fermentar...
-Eu não deixo ninguém comer chocolate...
-Se tivessem perguntado para mim...
-Mas, esperem aí! Tudo começou por causa de uma pergunta sobre a Coca Cola e a gente já falou de vinho, de trigo e de cevada, mas de Coca Cola que é bom....
-Bom? Não vejo nada de bom. Faz mal para a saúde, engorda e tem gosto ruim! Dizem até que é cancerígeno!
-Ah... La vem o natureba. Não enche, vai. Pai, afinal, Coca cola é fermentada ou não é?
-Eu já não falei que na tampinha da Coca ta escrito que ela não é fermentada? Desde pequeno eu repito isso e ninguém me da bola!
-É que você é o "filho ingênuo", Moises!!  He He! 
-Humpf! Ingênuo de 57 anos!
-E então pai? Responda: A Coca é permitida em Pessach? É chametz ou não é?
-Meus filhos a Coca Cola pode até não ser fermentada, mas isso não significa necessariamente que seja permitida. Pois nem tudo o que é proibido em Pessach é Chametz!
-Pronto! Agora confundiu de vez!
-Mas então quer dizer que Coca Cola não é Chametz e mesmo assim é proibida?
-É isso mesmo! A Coca não é Chametz e mesmo assim os judeus ashkenazim não a bebem em Pessach.
-Eita!
-Vou explicar: Há muitos anos atrás, rabinos Ashkenazim instituíram o costume de não se ingerir nenhum tipo de grão e seus derivados em Pessach, devido a semelhança destes com as cinco espécies que realmente são proibidas.
A coca Cola, assim como outros produtos industrializados, leva em sua composição um xarope de milho, que é um?
-Grão?
-Isso mesmo! E por isso, os ashkenazim não bebem Coca Cola em Pessach, a não ser que....
-Não gostem de Coca?
-Não, seu shaiguetz! Se fosse assim não beberiam nunca!
-A não ser que o xarope de milho seja substituído pelo açúcar de cana.
-Ah tá... Até parece que a Coca Cola iria substituir um ingrediente só para ser permitida em Pessach!
-E por que você acha que não fariam isso?
-Ué... Por que a Coca é a Coca!
-Então saiba que existe Coca Cola Casher para Pessach! Da uma olhadinha neste selinho de Casher aqui no rótulo da garrafa.
-Viu? A Coca é a Coca e Pessach é Pessach!
-Mas a Coca... Muda um de seus ingredientes só para a festa de Pessach?
-Ué... A história do mundo não mudou por causa da história de Pessach?
-Você tem razão! Sem esta história o mundo seria muito diferente...
-Então, se o mundo mudou por causa de Pessach, por que a receita da Coca Cola não pode mudar?
-Ta pessoal, já entendi. Agora vamos parar de falar de Coca Cola que engorda, que tem gosto ruim e que faz mal e vamos beber o nosso querido Vinho!
-Ei mas espera aí.... Vinho não é fermentado? Então é Chametz!
-Irmão, você não ouviu o que o papai explicou sobre as cinco espécies de cereal?
-Não, eu estava procurando o Aficoman! esqueceu que eu sou o caçula?

“Curta a liberade de Pessach – o Verdadeiro Sabor da Vida!”
  More Ventura! Judaísmo é atitude!


sexta-feira, 16 de março de 2012

Shabat - O templo do Tempo.


A parashá desta semana nos ensina a respeito da construção do Mishkan, o templo portátil que acompanhou o povo de Israel em sua jornada de quarenta anos pelo deserto, rumo à terra prometida.
No início da parashá porem, ainda antes de discorrer sobre sua construção, Moises relembrou o povo a respeito da proibição de se trabalhar no Shabat, fazendo surgir a seguinte pergunta:

Por que ensinar novamente esta lei que já havia sido ensinada?
E por que ela foi repetida justamente nesta parashá?
O Talmud responde que ao juntar estes dois assuntos – Shabat e Mishkan -  a Torah teve como objetivo nos revelar que os trabalhos os quais devemos evitar no primeiro são exatamente aqueles que foram necessários para se construir o segundo.

E qual é a relação entre os dois?
De acordo com o midrash, o tabernáculo é uma maquete simbólica do mundo, logo, de modo conceitual, as obras necessárias para a construção de ambos seriam semelhantes.
Portanto, quando deixamos de fazer as ações ligadas a construção do Mishkan, imitamos o “cessar obras” de Deus após os 6 primeiros dias da criação, lembrando nos do Seu “descanso” e da sua santificação do mundo material através da benção espiritual do dia do Shabat.

Que possamos compreender e vivenciar o fato de que as limitações impostas neste dia nada mais são do que uma libertação do mundo material, que é limitado por definição, impelindo nos a adentrar na dimensão espiritual, que é livre e ilimitada por essência, construindo assim, em cada um de nós, o maior e mais sagrado de todos os templos: O templo interno de cada ser humano!
Shabat Shalom!
More Ventura! Judaísmo é atitude e espiritualidade!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu num protesto contra mim mesmo!


No ano passado, num dia chuvoso e acinzentado, ao caminhar em um dos lugares que mais gosto na nossa cidade, a avenida Paulista, passei na frente de um ato pró revolução no Egito, na frente do edifício da Gazeta

Naquele momento, uma líder de um grupo que se auto intitulava de extrema esquerda esbravejava ao microfone, dizendo que temia que a revolução popular egípcia fosse seqüestrada pela burguesia.
Sugeri, de lado, que ela expressasse o mesmo temor em relação aos fundamentalistas islâmicos. A jovem me ignorou.
Quando ela terminou seu discurso, fui lhe dar os parabéns por seu "ânimo e eloquência".
Depois dos salamaleques iniciais perguntei o por que de ela não ter citado o fundamentalismo islâmico como um potencial “seqüestrador” da revolução e ela, ao invés de responder, me perguntou:
-De onde você é ?
-Sou Brasileiro - Respondi - Faço parte da comunidade judaica e inclusive, acho alguns dos verdadeiros ideais socialistas bem interessantes !
Ela me olhou surpresa e se adiantando um pouco em suas conclusões disparou :
-Uau ! Eu não sabia que existiam judeus de esquerda !
-Depois de envergonhá-la por ter dito tal absurdo, (citando célebres judeus esquerdistas), começamos a ouvir palavras de ordem da “torcida” sentada nas escadarias do edifício: 
-“Olé ola, Israel a tua hora vai chegar !”, sobre as quais eu emendei:
-Pois é... Mesmo com a existência de muitos judeus simpatizantes dos ideais de esquerda, vai ser difícil vê-los por aqui, pois normalmente este tratamento “diferenciado” que vocês dão a Israel não costuma atrair muitos israelitas. 
Eu mesmo, como filho de Egípcio, (que fugiu do Egito devido aos ataques dos “irmãos muçulmanos"), gostaria talvez, de estar manifestando meu apoio junto com vocês, mas o que posso fazer se não me sinto muito a vontade por aqui...
(Naqueles dias eu ainda não sabia no que daria aquela revolução...)
Ainda sob o raivoso canto da torcida, disse a ela que se o ideal destas pessoas fosse o "no Countries" e o "no religion", eu não concordaria, mas entenderia, porem eu só estou ouvindo o "no Israel" !  
E o Irã? E a Arábia Saudita? Por que não se manifestam também contra eles ? Por que não se manifestam contra os massacres na Síria contra os próprios árabes? Por que não se manifestam contra a violenta opressão às mulheres, missionários cristãos e homossexuais nos países e territórios fundamentalistas? 
No final de nosso "bate papo", falei à "corajosa líder" que eu não tinha medo nenhum de dialogar e ofereci meu e-mail a ela, recebendo o dela como troco.
Na mesma noite lhe enviei uma mensagem e assim o fiz por mais três vezes, mas a moça nunca respondeu... Por que será?


Pseudo pacifistas, respondam me, por favor:
Aonde reside a verdadeira coragem ? Nas bravatas, ofensas e discursos inflamados ou na disposição de se ter um conversa franca"cara a cara" ?
Aonde está a verdadeira busca pela paz?
Nas condenações dirigidas somente a Israel, mal disfarçando o velho ranço anti semita, ou na crítica a todos os abusos e violências e na busca equilibrada de diálogo e soluções?
Bem, aí vai minha mensagem para vocês, mocinhas e moções pseudo humanistas e pseudo pacifistas:  Parem de gritar e ameaçar...Já que vocês são tão corajosos, venham.......
Dialogar!
More Ventura! Judaísmo é atitude!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Matsá - Significado e simbologia.


O maior símbolo material da comemoração de Pessach, a páscoa judaica, é a Matsa, o pão não fermentado.
Durante oito dias substituímos nosso delicioso pãozinho francês por este crocante pão bíblico, fazendo com que nos recordemos do êxodo de nossos antepassados da escravidão egípcia, não somente na cabeça e no coração, mas também no estômago.

Os motivos desta substituição são três:

1-Relembrar o sofrimento de nossos antepassados:
Durante a escravidão nossos ancestrais eram alimentados pelos egípcios com a matsá, por se tratar de um alimento barato e fácil de se fazer. Por este motivo, a matsá também é chamada de pão da pobreza.

2-Cumprir o mandamento de comer o sacrifício pascal com Matsá e Maror – Ervas amargas:
-No Shabat – Sábado – anterior ao Êxodo, Moises informara ao povo de que em agradecimento aos milagres Divinos eles deveriam fazer a oferenda de um cordeiro, cuja carne deveria ser ingerida juntamente com ervas amargas e Matsá. Como é sabido, o sangue deste cordeiro foi passado nos batentes das portas dos filhos de Israel para que a praga da morte dos primogênitos não penetrasse em suas casas.

3-Recordarmos da pressa com a qual nossos pais bateram em retirada das terras do Nilo.
-Em seus últimos minutos de Egito, nossas tataravós estavam esperando pacientemente o fermentar da massa que prepararam para fazer pão. Devido a pressa, porem, tiveram que assar a massa antes de fermentar e o que foi que saiu do forno? A velha e conhecida Matsá!

Mensagem do Zohar - Kabbalah:
Vocês já perceberam que em sua essência o pão e a matsá são a mesma coisa?
Ambos são feitos exatamente pelos mesmos ingredientes: Agua e farinha!
Então qual é a diferença entre eles? A aparência, pois devido ao descanso de sua massa, que fermenta e cresce, o pão incha ao ser assado, enquanto a matsá, cuja massa é inserida no forno antes de fermentar, mantém o mesmo tamanho que tinha antes de ser assada, não aparentando ser nada mais do que realmente é!

Este é o ensinamento e a mensagem geral da comemoração de Pessach:
A verdadeira liberdade se alcança através da busca da essência e da simplicidade, que pautam os verdadeiros valores espirituais que devemos seguir, enquanto o culto à aparência e a superficialidade, vazios como o ar que incha o pão, nos escravizam fazendo-nos vítimas e servos dos prazeres descomedidos e da necessidade de impressionarmos as opiniões alheias.      
Para não cair no ritualismo vazio, que também escraviza: Questione, estude, sinta e cumpra!
Uma boa libertação! Pessach Casher VeSameach!
More Ventura! Judaísmo é atitude!   

terça-feira, 13 de março de 2012

Moises ou Michel Teló?


Ei você que está lendo!
É! Você mesmo!
Posso te pedir uma coisinha? Empresta-me um minutinho da sua imaginação?
Sim? Então vamos La: 1, 2, 3 e... Valendo!

Imagine se vivendo numa mansão, com um Porche, um Rolls Roys e uma Masserati  na garagem. 
Tvs led 3D do tamanho das paredes, Jacuzzis de mármore italiano com torneiras de ouro espalhadas por vários aposentos e ar condicionado em todos os ambientes.
Cozinhas equipadas com aparelhos de ponta, com os melhores chefs do mundo a sua disposição. 
Poltronas e sofás macios com massageadores embutidos, tapetes persas espalhados sobre o piso de madeira de cedro, músicos prontos para tocarem suas canções prediletas e empregadas à postos para satisfazerem os seus desejos. 
Helicópteros, navios, aviões, ilhas e viagens. Tudo! Tudo ao seu dispor. 
"Delícia! Delícia!" 

Agora Imagine se abrindo as janelas de seu deslumbrante quarto, após um "sábado" - ou qualquer outro dia - "na balada" e se deparando com a seguinte cena: Uma multidão de soldados gritando: "Ai se eu te pego", para crianças, adultos e idosos, machucados e sujos, para que trabalhem de forma desumana e cruel, de modo a sustentarem a sua vida de fortuna, prazeres e ostentação.
O que você faria?

-Ignoraria o sofrimento e a injustiça para com os trabalhadores?
-Jogaria a eles algumas moedas, de modo a amenizar a sua consciência?
-Ajudaria ativamente os pobres obreiros em nome da justiça e da bondade, mesmo sabendo que com isto poderia por em risco todo seu conforto e talvez até mesmo a sua própria vida?

Difícil a pergunta, não é?
"Assim você me mata!"

Não sei qual foi a sua resposta e nem você sabe a minha, mas a de Moises, nosso mestre, todos nós conhecemos: Abnegação, solidariedade e coragem!
Não foi a toa que ele se tornou o Grande líder, legislador e libertador do povo de Israel.

Por isso, quando for pensar em modelos, principalmente se for mãe ou pai, "Tome coragem" e esqueça se dos jogadores de futebol, BBBs e Michels Telós da vida... mas  nunca deixe de se lembrar... de nosso grande mestre Moises.


Vamos escolher melhor nossos modelos!
Pessach Sameach!
More Ventura! Judaísmo é atitude!!!

O Padre (e o rabino ) de Heliópolis!!!

Ha um mês atrás fui convidado para participar de um programa em Israel, junto com três padres brasileiros. O programa tinha como intuito incrementar o diálogo judaico-cristão, visando uma cultura de Paz.
A primeira e única reunião antes da nossa viagem fora marcada para acontecer num apartamento localizado no bairro dos Jardins, mas devido a outros compromissos acabei chegando quando os padres já estavam saindo do prédio. Inconformado, propus uma segunda reunião, que teria que acontecer naquele mesmo momento. Na falta de um lugar mais adequado, propus o.... Boteco da esquina!
Depois da resposta positiva e de alguns segundos de "estudo do adversário", vieram horas de bate papo, trocas de experiências e piadas recheadas com uns pingado e uns "pãozinho com manteiga".
Em poucos minutos o diálogo virou conversa que virou bate papo, que virou amizade!
(A cerveja foi só pra foto!)
                            

Num certo momento perguntei a cada um onde morava, ao que o Padre Pedro, (o da camisa preta), respondeu:
-Eu moro no Ipiranga, mas quando voltar de Israel vou me mudar para Heliópolis!
-Você conhece Heliópolis Ventura? - Perguntou me o padre, certo de que ouviria uma resposta negativa!
-Eu que te pergunto padre - Respondi sorridente.
-Ainda não conheço, mas quando voltar eu...
-Não se preocupe, meu amigo - respondi interrompendo sua fala- quando a gente voltar eu vou te apresentar a moçada de Helipa... Vou te levar pras quebradas!
Neste momento os três padres se entreolharam e me olharam espantados:
-"Será que é verdade?" Pensaram eles.
-Depois de explicar-lhes que minha esposa Jacqueline participa como atriz do Cine Favela de Heliópolis e que realmente somos da turma, ou seja, somos 100% Heliópolis, os três amigos caíram na gargalhada dizendo:
-"Ter uma conversa como estas com um rabino num bar já foi demais, mas ouvir que ele vai apresentar a galera de Heliópolis para o Padre já é muita quebra de paradigmas pra nossa cabeça!"

Alguns dias depois em Israel....

Parecia tudo esquecido: A reunião no boteco e a história de Heliópolis tinham ficado pra trás!

Era tudo brincadeirinha não era?



NÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!!!!! ERA TUDO VERDAAAADE E OLHA PARA ONDE EU LEVEI O PADRE PEDRO ALGUNS DIAS DEPOIS DE NOS DESPEDIRMOS EM JERUSALEM:

                         

FAZER UM LEHAIM, (TIM-TIM), NO CINE FAVELA, SITUADO NO CORAÇÃO DE HELIPA!!!

                                               

Diálogo inter religioso, inter social e inter Tudo!
Enfim.... Diálogo!
DEIXA O PRECONCEITO PRA LA E VENHA PARTICIPAR!

JUDAÍSMO É ATITUDE!
MORE VENTURA!


segunda-feira, 12 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

Pessach - o "dia das crianças"!

Pessach está chegando.
Na minha opinião e na de muitos, esta é a data mais marcante de nosso calendário.
A história que comemoramos, seu simbolismo, suas mensagens... Tudo é fantástico, mas o mais importante é a sua pedagogia!
-“Pedagogia de Pessach?!"
 Você acha que eu estou usando um termo contemporâneo demais para me referir a uma comemoração que data de vários milênios?”
Não! Pois por incrível que pareça, desde o texto da Torah, temos várias indicações de que o ponto mais importante desta comemoração é a transmissão da história e de seus valores aos nossos descendentes, aludindo inclusive ao fato de que devemos usar de linguagens diversas, de modo a atingirmos todos os nossos diferentes tipos de filhos! (moderno, não é?)

Justamente por causa da importância desta ênfase no aspecto pedagógico, nossos antigos sábios – de mais de 2000 anos atrás, montaram um fantástico enredo para ser seguido na ceia – onde símbolos, perguntas e até mesmo um caça tesouro, fazem com que a criança se sinta interessada e participe como agente central desta linda e poderosa comemoração.

Papai, mamãe e avós, ao comemorarem o seder não o façam de modo corrido e nem como se fosse uma cerimônia enfadonha. Preparem-se de antemão para que seu principal objetivo seja alcançado: A participação e a educação das crianças. 
Deste modo vocês perceberão que a religião, diferentemente do que muitos pensam, não é uma tradição enferrujada e sem sentido, e sim, uma fonte inesgotável de valores universais, como fé, abnegação, força de vontade e união, cada vez mais importantes em nossas vidas, na medida em que nossa juventude se afunda no materialismo e hedonismo descomedido!

Viva a religião espiritual, humanista e com sentido!
Viva Pessach!
More Ventura! Judaísmo e Atitude!!!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia internacional das mulheres - Uma data judaica?


Dia internacional da mulher. Oito de março ou Catorze de Adar?

Eu nunca concordei em ver o judaísmo ou a história do povo judeu como algo destacado do contexto geral.
Também acho um equívoco olhar os últimos 2000 anos de nossa história, pré estado de Israel, somente como uma trama de perseguições e sobrevivências, como muitos insistem em fazer.
Por isso gosto de datas como esta, do dia da mulher, que ao mesmo tempo em que é universal, também trás consigo uma parcela de história judaica.

Mas o que esta data tem a ver com a nossa história?

O motivo da fixação da data é controverso – disputa de americanos e Soviéticos - Mas uma coisa é indiscutível:
Muitíssimas judias, (e judeus), participaram de fatos decisivos que influenciaram na luta pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores no início do século passado, e foram alguns “rounds” desta luta, de acordo com a versão americana, que levaram a criação desta data comemorativa do dia das mulheres
.
Mais especificamente falando, o fato que serviu como marco para a escolha desta data foi um incêndio numa fábrica onde morreram várias mulheres, compostas em sua maioria por jovens operarias imigrantes judias.  
Para se ter uma idéia da influência dos judeus nesta história de greves e sindicatos, o juramento bradado em voz alta pelos operários e operárias americanos de que não quebrariam a greve, que aconteceu no mesmo período do trágico incêndio, foi a celebre frase do salmo que diz: “Im eshkachech Yerushalaim Tishkach Yemini”. “Se me esquecer de Jerusalem, que eu me esqueça de minha destra...”
Outro fato interessante é que um dos grupos responsáveis por uma das maiores greves da época se chamava liga dos operários hebreus.
No final das contas, estas greves e este episódio do incêndio na fábrica acabaram por fazer com que os sindicatos e os direitos das mulheres em particular e dos operários, em geral, fossem reconhecidos em terras Norte Americanas e isto é o que atesta uma placa comemorativa que repousa em uma das paredes da universidade de Nova Yorque, local onde funcionava a antiga fábrica.
 
Não há duvidas de que todas estas lutas não foram em vão, mas infelizmente ainda há muito mais a se conquistar para que as mulheres ocupem o lugar que merecem na sociedade da qual fazem parte e que como ninguém, ajudaram e continuam ajudando a criar!.
Mulheres de todo o mundo! Uní-vos e antes que eu me esqueça...Mazal Tov! 
More Ventura! Judaísmo é Atitude!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Purim "Só para adultos!"

Meu amigo Avraham Moishe de Jerusalém! Radical é a vó!


Apesar de estar super atarefado.... Preciso escrever sobre Purim e vai ser assim:
Direto ao assunto!
Quando falamos a respeito de algum acontecimento histórico não devemos nos esquecer do contexto, se não a historia pode ficar sem pé nem cabeça!

Veja o caso de Purim:
Você já pensou que o comportamento de Aman ao propor o extermínio de um povo inteiro só por que Mordechai se negara a curvar se para ele foi muito inconsequente para o ministro de um grande império como o Persa e que a pronta aceitação do rei Achashverosh foi mais inconsequente ainda?
Isso não faz a história parecer meio fictícia?

Então vamos aos fatos:
Vocês já ouviram falar dos Samaritanos?
Era um mix de vários povos que foi trazido para habitar o extinto reino do norte de Israel por seu conquistador Assírio, de modo a substituir a exilada população israelita.
Eles ganharam este nome, pois a capital de Israel se chamava Samária.
A rixa entre esta população e os judeus do reino do sul sempre foi grande, pois estes nunca consideraram os Samaritanos como parte de seu povo.

Quando o povo do reino de Judah – os judeus – foi exilado, décadas depois  para as terras da Babilônia, muitos samaritanos passaram a viver em seu território, ocupando assim os cargos de poder daquela região.
Passados setenta anos do exílio babilônico, o conquistador Persa, Coresh – Ciro – permitiu o retorno dos judeus para suas terras, de modo a reconstruírem Jerusalém e seu Templo.

Quando os judeus voltaram a Judá, adivinhem quem eles encontraram ali?
Os Samaritanos, que queriam impedi-los de reconstruírem o seu templo e sua cidade temendo perder o controle do lugar.
Para incrementar sua posição, os supra-citados inventaram algo ainda muito em voga: O “abaixo-assinado”, que fora assinado por vários líderes de povos vizinhos ao território de Judah.

Seu texto advertia o imperador Persa de que o fato de ele deixar o povo judeu reconstruir sua cidade e seu templo seria uma estupidez, pois conforme afirmava, os judeus eram notoriamente rebeldes e com suas fortalezas reconstruídas não perderiam a chance de se rebelarem contra seu domínio.

O imperador, (este lenga lenga passou por umas três gerações de imperadores), as vezes concordava e embargava a construção e as vezes, depois de receber alguma comitiva judaica bem articulada, voltava a permitir a obra.

Agora chegamos ao ponto:
A história de Purim se passou durante este período em que os samaritanos e os povos vizinhos a Judá nos acusavam de rebeldia.
Não devemos nos esquecer também de que o temor de rebeliões permeava o governo de Achashverosh devido ao alto numero de povos que ele subjugava, nada menos do que cento e vinte e sete!
A própria meguilá nos conta sobre dois guardas reais de origem estrangeira que tentaram matar o imperador.

Então amigos, perceberam ? Esta  era a situação:

-Um monte de gente acusando o povo judeu de rebeldia, uma batalha política em torno do templo e do controle de Jerusalém, receios de traições e assassinatos. Foi neste contexto que surgiu Mordechai  negando se curvar ao primeiro ministro, despertando assim seu temor de que se tratasse de uma conspiração judaica contra o império Persa. Daí para um decreto de extermínio foi um passo, (agora mais compreensível).

O final todos já conhecem... Aman foi enforcado e os judeus venceram seus inimigos!
Mas.... Para não ser semprígeno... vou citar um outro final e uma outra vitória pouco conhecida, porem trazida numa fonte famosa: O Talmud.

Perdida em uma de suas inúmeras páginas encontramos uma afirmação :
Alguns descendentes de Aman se converteram ao judaísmo e se tornaram professores de Torah para crianças na cidade de Bnei Brack em Israel...
Quer moleza?
Vai comer Oznei Aman!
Purim Sameach e desculpem não citar fontes, é lá pelo livro de Ezra e Nechemia... é que estou muito corrido!

terça-feira, 6 de março de 2012

Não volto mais!

Ola meu querido amigo como você está? Eu graças a D’us estou muito bem e confesso que também estou com muitas saudades. Imagino que você tenha tomado conhecimento de minha viagem a Israel, mas mesmo assim te peço desculpas pela falta de notícias.
Prometo que não sumirei de novo e vou compensar o meu “apagão ” dando duas novidades de uma só vez:
A primeira novidade, que talvez lhe choque um pouco, é que o seu velho amigo More Ventura nunca mais voltará.
A segunda novidade é que eu já cheguei ao Brasil.
O que? Você não entendeu? Então vou explicar:
Sabe aquelas experiências pelas quais passamos em nossas vidas após as quais podemos dizer que não somos mais os mesmos?
O casamento, ou o nascimento de um filho são bons exemplos disso. Eu  me lembro muito bem da sensação de metamorfose que senti no dia em que meu querido filho Nathan, meu primogênito, nasceu.
Foi como se o antigo eu tivesse morrido e um novo eu, o pai e provedor, tivesse nascido em seu lugar.
Desta vez a sensação que experimento é parecida, pois as vivências que tive nos últimos treze dias durante os quais estive em Israel me tocaram de tal forma que não somente fortaleceram minhas antigas convicções, como também me acrescentaram novas e poderosas percepções, fazendo com que me sinta uma nova pessoa.
Israel é uma verdadeira lição de vida! Seu povo alem de forte e valente, é também muito acolhedor. Me senti parte de uma grande família, com irmãos de todas as idades e realidades, desde velhos chasidicos do bairro ortodoxo de Meah Shearim, até jovens laicos num pub em Tel Aviv.
A coexistência que se vê no dia a dia é impressionantemente diversa do que a mídia quer nos fazer crer, e muitos valores de caridade e amor ao próximo são vivenciados nas ruas e não somente nas sinagogas e instituições de caridade.
A lei é obedecida e os serviços são de alto nível.
O valor que se dá a cultura é algo soberbo e a vitalidade e a vontade de viver que enxergamos na juventude é vibrante e contagiante.
A mão de Deus é obvia! Acontecem coincidências demais para serem chamadas simplesmente de coincidências.
Muitas foram as experiências que me marcaram, mas neste momento de ajuste de meu relógio biológico ao fuso horário, vou ter que me restringir ao que já escrevi, pois minha mente está um pouco confusa e se me faz difícil concatenar as idéias em palavras.
Amo Israel e também amo muito o Brasil, por isso não estou de volta... Estou aqui! 
Estou aqui para continuar ensinando e atuando, porem com uma vontade renovada e multiplicada, pois testemunhei o quanto é possível realizar quando se tem organização, meios, vontade e acima de tudo a benção de Deus em nossas ações.
Muito obrigado amigo e um grande abraço!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Baal Shem Tov!


Nascido no ano de 1760 o Baal Shem Tov foi um grande visionário, quebrando paradigmas e ressaltando a supremacia da fé e do amor ao próximo em relação aos também importantes conhecimento cognitivo e prática  ritual. 
Sua influência perdura até hoje, através das canções entoadas nas sinagogas, da ênfase na simplicidade da fé e na prática de atos de caridade desinteressados.
Para alguns Baal Shem Tov foi um grande psicólogo. Para outros, foi um homem iluminado. Outros ainda acreditam que foi um revolucionário. 
E você? O que acha? Assista a história abaixo e dê a sua opinião!


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Judaísmo - More Ventura conta Rabino Zusha e a roupa.


‎1. Daslu ? 2. Louis Vuiton ? 3. Chanel ? 4. Burberry ? 5. Armani ? 6. Gucci ? 7. Lacoste ? 8. 

Prada ? 9. Billabong 10 ?. Fred Perry ?

RABINO ZUSHA NELEEEEEEEEEEES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Clique e assista esta curta, porem bela historia !!!

JUDAISMO NÃO É MODINHA! JUDAISMO É ATITUDE!!!




A moça e o mendigo!



O Pirquei Avot - Ética dos pais - diz:
Al tistakel bakankan ela bema sheiesh bô!
Não olhe a garrafa, mas sim seu conteúdo!
Este é um dos ensinamentos desta linda história, simples e verídica.

A MOÇA E O MENDIGO!



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Recebi uma carta de Deus!

Amigo, você sabe o que é uma carta?
Carta é o e-mail de antigamente. Funcionava assim: Você pegava um papel, um lápis e digitava o conteúdo à mão. Ao invés de clicar no “Enviar”, você tinha que levá-la a uma “casinha” chamada correio, onde depois de selada e carimbada, ela viajava de trem ou de navio até chegar ao seu destino. Muitas vezes a pobrezinha se perdia, se atrasando ou até mesmo se perdendo no meio do caminho.
O que vou te contar agora amigo, é a história de uma estranha correspondência que enviei “sem querer” por um sistema muito mais rápido do que o das cartas e até mesmo do que o do e-mail e que foi respondida por dois remetentes ao mesmo tempo, sem nenhuma confusão ou extravio.
O caso foi assim. Certa manhã de inverno, enquanto estava na Yeshiva – seminário rabínico – em Jerusalém, depois de ler o salmo de número vinte e três em hebraico - O senhor é meu Pastor e nada me faltará - mandei a seguinte mensagem para nosso Querido e Amado Pai:
-Deus! Eu acho este salmo lindo, mas ainda não compreendo tão bem o hebraico. Eu gostaria tanto de ter uma tradução dele em português...
-Após mandar esta frase, voltei à leitura dos salmos. O dia era de neve forte, como não se via há quarenta anos. As ruas e as estradas estavam interditadas e as “águas tranqüilas” estavam congeladas, mas para o “Carteiro” com C maiúscula nem mesmo o “vale da morte” significa um obstáculo e, portanto minha mensagem foi enviada. Para onde? Para quem? Eu não tinha idéia...
Depois de uns sete dias, congelado feito um sorvete, após uma jornada de estudos Talmúdicos, entrei em meu quarto onde vi repousando sobre meu travesseiro uma carta:
-Ah! Que bom, meus pais escreveram! – Raciocinei satisfeito enquanto tirava meu chapéu e alisava a minha barba:
-Ué? Que estranho a carta veio de Jundiaí? Será que meus pais estão passando uns dias no sítio do tio Luiz? – Pensei após ver o endereço de origem da mesma.
-Mas a grande surpresa veio quando li o nome do remetente:
Elias dos Santos.
Este era o nome do caseiro do sítio, um senhor evangélico com quem eu passava horas a fio conversando sobre religião, valores e natureza, enquanto capinávamos as ervas daninhas que prejudicavam as plantações.
Com ele, com seus filhos e netos afro-descendentes, aprendi que o convívio entre pessoas de diferentes etnias e realidades só tem a contribuir para a nossa formação e evolução como seres humanos.
 Bem... Se o recebimento da carta me deixara feliz, agora que vi que ela era de Seu Elias, fiquei ainda mais empolgado e curioso com seu conteúdo, então fui logo abrindo e foi aí que a grande e maravilhosa surpresa se deu:
O pedido que eu fizera na gelada Jerusalém, há somente uma semana, atravessara a neve da cidade Santa, as águas tranqüilas do mediterrâneo e do Atlântico e chegara aos verdes pastos de Jundiaí:
A carta/resposta de Deus e do seu Elias dizia o seguinte:
“Meu querido amigo Gilberto, estou te enviando um salmo, guarde o em tua carteira para que te traga proteção. De seu amigo Elias”:

                                                
Está história, meu amigo leitor, me abriu os olhos para duas realidades profundas: A de que a fé na presença de Deus deve ser vivida de forma concreta e não somente suposta ou pregada e a de que por trás da diversidade cultural e religiosa que divide os seres humanos, existe uma unidade eterna e que deve ser cada vez mais revelada, pois é ela e somente ela que vai trazer a verdadeira paz a humanidade: A de que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai.

Shalom!
More Ventura! Judaísmo é atitude!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Mãe e Pai é Sagrado truta! Suaaave?


                                       
Há uma pá de tempo atrás, um dos rabinu mais irado, que se chamava Yehoshua, um tiozinho muito cabeça, gente fina e cheio de atitude tava meio grilado, por que ele tava sendo perseguido por um sonho muito sinistro.
É que toda noite, quando começava puxar um ronco, o rabino ouvia uma voz, mas não era uma voz normal, era tipo aquelas voz de cinema, com eco e tudo mais. Era sombrio, truta!
E sabe o que a voz dizia?


“Aeh rabino, quando cê apagar, tú vai ficar no paraíso junto com um Açougueiro chamado Nanas”.
Sei La Brow, eu até que dou uma confiança pra esses lance de sonho...
Aí! Depois de ter o mesmo sonho umas quatro vez, o rabinu se enfastiou e foi procurar o tal do Nanas. Ele ficou meio desamparado, por que parecia que o sonho era uma bronca... Fala sério meu irmão: Dizê que um mano ponta firme desses vai ficá do lado de um vendedô de frango quando chegá no paraíso... Mano! Só se for pra comê churrasco...


Mas vai sabê né? E se o tal do Nanas fosse um sábio que nem o rabinu?
Depois de rodá muito nas quebrada, o rabinu encontrou o Nanas num açougue e a esperança de que o cara fosse um sábio viro pó, por que logo deu pra vê que o mané era torto das idéia.
Depois de uns minuto o Nanas vazô do açougue pra dá uns rolê e o rabino fico na cola do vacilão pra vê o que ele ia fazê: O Nanas andando e o rabinu seguindo. Aí o rapaz entro num barraco, e o rabinu ficou de fora só de olho.


Cê tinha que vê Brow! Deu uns minuto e ozóio do rabinu começo a vazá! O véio fico mó emocionado!
E sabe por que? É que ele viu que La dentro da casa tava rolando mó ação! É que o Nanas tava cozinhando, dando de comê, lavando as loça... Tudu pros véio dele, Brow... Aí já viu né? O rabinu se tocou que o Nanas tambem era ponta firme e que ficá do lado dele no paraíso não era motivo de crise nao.
Aí foi só alegria, né? Quando o Nanas saiu do barraco o rabinu foi La, deu um abraço nele e mando a seguinte letra:


-“Suave Brow? Te vejo La do outro lado!”
-O Nanas não entendeu nada. Achô que o Rabinu era noiado e vazô.
O rabinu, contando essa parada pa nóis mais tarde, insinô que mais importante do que o cara sê sabido e cheio das idéia é respeitá os outro ser humano e principalmente os pais, por que pai e mãe é sagrado.... Certo?


Se liga aí no quinto mandamento Truta!!!
É nóis firme na Torah mano!!!
Té mais aí  Te vejo nas quebrada!



Fonte: "Seder Hadorot"
Suave? Mano Ventura!
Judaísmo é é é Atituuuude!
Um abraço especial pro mano Guigo Sipam! Rep de primeira!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Comentários de uma ex-criança sobre o "Pinheirinho."



                     


Comentários de uma ex-criança sobre a matéria de um jornal a respeito da “desocupação” da favela do Pinheirinho.

“Desocupação da favela do Pinheirinho deve ser concluída nesta quarta...”
Quando eu era pequeno, minha avó Raquel gostava de pegar pequenos pinhos que caiam dos pinheiros e usá-los como suporte para as velas do Shabat. Naquela época era isso que chamávamos de PINHEIRINHO.

“Está na etapa final o trabalho de demolição das casas...”
Quando eu era pequeno, enquanto esperava meu pai voltar do trabalho, eu sempre imaginava o quanto este devia ser construtivo e benéfico. Naquela época não poderia supor que um dia a palavra trabalho poderia ser associada à destruição de casas habitadas por adultos e crianças.

“A operação de derrubada das casas transcorre sem problemas com os ex-moradores. Poucos ainda acompanham os trabalhos.”
Quando eu era pequeno, chamava o escuro e o medo que eu tinha de fantasmas de grandes problemas. Não sei nem como chamaria a derrubada de nossa casa, ainda mais se estivesse acontecendo na minha frente e na frente de meus pais e irmãos.

“A polícia também apreendeu, dentro da favela, quatro veículos, entre eles uma motocicleta de luxo parcialmente desmontada.”
Quando era pequeno aprendi com meus pais que não podia concluir que um grupo de pessoas era mau só por causa do que uma minoria delas fazia. E também aprendi com minha fessora de matemática que para se roubar quatro veículos e uma moto, uma ou duas pessoas já seriam o suficiente!

“o terreno deverá ser entregue à massa falida da empresa Selecta, do ex-investidor Nagi Nahas.”
Quando era pequeno, ouvi pela primeira vez que um homem podia roubar muito dinheiro, mesmo sendo rico e chique e que depois de pagar para a polícia, podia ser “desculpado” de seus erros, deixando assim de ser preso e podendo voltar para sua luxuosa casa.


Quando eu cresci, aprendi que para liquidar suas dívidas, o homem que pagou para a polícia para poder voltar para sua casa, teve o direito de derrubar as casas de um monte de pais, mães e filhos que não tinham mais onde morar.

Quando eu cresci, aprendi que Pinheirinho não servia mais pra nome de enfeite...


Quando aprendi que Pinheirinho não podia mais ser nome de enfeite, aprendi eu que não podia mais ser criança...




More Ventura!