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terça-feira, 13 de março de 2012

O Padre (e o rabino ) de Heliópolis!!!

Ha um mês atrás fui convidado para participar de um programa em Israel, junto com três padres brasileiros. O programa tinha como intuito incrementar o diálogo judaico-cristão, visando uma cultura de Paz.
A primeira e única reunião antes da nossa viagem fora marcada para acontecer num apartamento localizado no bairro dos Jardins, mas devido a outros compromissos acabei chegando quando os padres já estavam saindo do prédio. Inconformado, propus uma segunda reunião, que teria que acontecer naquele mesmo momento. Na falta de um lugar mais adequado, propus o.... Boteco da esquina!
Depois da resposta positiva e de alguns segundos de "estudo do adversário", vieram horas de bate papo, trocas de experiências e piadas recheadas com uns pingado e uns "pãozinho com manteiga".
Em poucos minutos o diálogo virou conversa que virou bate papo, que virou amizade!
(A cerveja foi só pra foto!)
                            

Num certo momento perguntei a cada um onde morava, ao que o Padre Pedro, (o da camisa preta), respondeu:
-Eu moro no Ipiranga, mas quando voltar de Israel vou me mudar para Heliópolis!
-Você conhece Heliópolis Ventura? - Perguntou me o padre, certo de que ouviria uma resposta negativa!
-Eu que te pergunto padre - Respondi sorridente.
-Ainda não conheço, mas quando voltar eu...
-Não se preocupe, meu amigo - respondi interrompendo sua fala- quando a gente voltar eu vou te apresentar a moçada de Helipa... Vou te levar pras quebradas!
Neste momento os três padres se entreolharam e me olharam espantados:
-"Será que é verdade?" Pensaram eles.
-Depois de explicar-lhes que minha esposa Jacqueline participa como atriz do Cine Favela de Heliópolis e que realmente somos da turma, ou seja, somos 100% Heliópolis, os três amigos caíram na gargalhada dizendo:
-"Ter uma conversa como estas com um rabino num bar já foi demais, mas ouvir que ele vai apresentar a galera de Heliópolis para o Padre já é muita quebra de paradigmas pra nossa cabeça!"

Alguns dias depois em Israel....

Parecia tudo esquecido: A reunião no boteco e a história de Heliópolis tinham ficado pra trás!

Era tudo brincadeirinha não era?



NÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!!!!! ERA TUDO VERDAAAADE E OLHA PARA ONDE EU LEVEI O PADRE PEDRO ALGUNS DIAS DEPOIS DE NOS DESPEDIRMOS EM JERUSALEM:

                         

FAZER UM LEHAIM, (TIM-TIM), NO CINE FAVELA, SITUADO NO CORAÇÃO DE HELIPA!!!

                                               

Diálogo inter religioso, inter social e inter Tudo!
Enfim.... Diálogo!
DEIXA O PRECONCEITO PRA LA E VENHA PARTICIPAR!

JUDAÍSMO É ATITUDE!
MORE VENTURA!


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Judaísmo - More Ventura conta Rabino Zusha e a roupa.


‎1. Daslu ? 2. Louis Vuiton ? 3. Chanel ? 4. Burberry ? 5. Armani ? 6. Gucci ? 7. Lacoste ? 8. 

Prada ? 9. Billabong 10 ?. Fred Perry ?

RABINO ZUSHA NELEEEEEEEEEEES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Clique e assista esta curta, porem bela historia !!!

JUDAISMO NÃO É MODINHA! JUDAISMO É ATITUDE!!!




A moça e o mendigo!



O Pirquei Avot - Ética dos pais - diz:
Al tistakel bakankan ela bema sheiesh bô!
Não olhe a garrafa, mas sim seu conteúdo!
Este é um dos ensinamentos desta linda história, simples e verídica.

A MOÇA E O MENDIGO!



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Judaísmo - Recebi uma carta de Deus!

Amigo, você sabe o que é uma carta?
Carta é o e-mail de antigamente. Funcionava assim: Você pegava um papel, um lápis e digitava o conteúdo à mão. Ao invés de clicar no “Enviar”, você tinha que levá-la a uma “casinha” chamada correio, onde depois de selada e carimbada, ela viajava de trem ou de navio até chegar ao seu destino. Muitas vezes a pobrezinha se perdia, se atrasando ou até mesmo se perdendo no meio do caminho.
O que vou te contar agora amigo, é a história de uma estranha correspondência que enviei “sem querer” por um sistema muito mais rápido do que o das cartas e até mesmo do que o do e-mail e que foi respondida por dois remetentes ao mesmo tempo, sem nenhuma confusão ou extravio.
O caso foi assim. Certa manhã de inverno, enquanto estava na Yeshiva – seminário rabínico – em Jerusalém, depois de ler o salmo de número vinte e três em hebraico - O senhor é meu Pastor e nada me faltará - mandei a seguinte mensagem para nosso Querido e Amado Pai:
-Deus! Eu acho este salmo lindo, mas ainda não compreendo tão bem o hebraico. Eu gostaria tanto de ter uma tradução dele em português...
-Após mandar esta frase, voltei à leitura dos salmos. O dia era de neve forte, como não se via há quarenta anos. As ruas e as estradas estavam interditadas e as “águas tranqüilas” estavam congeladas, mas para o “Carteiro” com C maiúscula nem mesmo o “vale da morte” significa um obstáculo e, portanto minha mensagem foi enviada. Para onde? Para quem? Eu não tinha idéia...
Depois de uns sete dias, congelado feito um sorvete, após uma jornada de estudos Talmúdicos, entrei em meu quarto onde vi repousando sobre meu travesseiro uma carta:
-Ah! Que bom, meus pais escreveram! – Raciocinei satisfeito enquanto tirava meu chapéu e alisava a minha barba:
-Ué? Que estranho a carta veio de Jundiaí? Será que meus pais estão passando uns dias no sítio do tio Luiz? – Pensei após ver o endereço de origem da mesma.
-Mas a grande surpresa veio quando li o nome do remetente:
Elias dos Santos.
Este era o nome do caseiro do sítio, um senhor evangélico com quem eu passava horas a fio conversando sobre religião, valores e natureza, enquanto capinávamos as ervas daninhas que prejudicavam as plantações.
Com ele, com seus filhos e netos afro-descendentes, aprendi que o convívio entre pessoas de diferentes etnias e realidades só tem a contribuir para a nossa formação e evolução como seres humanos.
 Bem... Se o recebimento da carta me deixara feliz, agora que vi que ela era de Seu Elias, fiquei ainda mais empolgado e curioso com seu conteúdo, então fui logo abrindo e foi aí que a grande e maravilhosa surpresa se deu:
O pedido que eu fizera na gelada Jerusalém, há somente uma semana, atravessara a neve da cidade Santa, as águas tranqüilas do mediterrâneo e do Atlântico e chegara aos verdes pastos de Jundiaí:
A carta/resposta de Deus e do seu Elias dizia o seguinte:
“Meu querido amigo Gilberto, estou te enviando um salmo, guarde o em tua carteira para que te traga proteção. De seu amigo Elias”:

                                                
Está história, meu amigo leitor, me abriu os olhos para duas realidades profundas: A de que a fé na presença de Deus deve ser vivida de forma concreta e não somente suposta ou pregada e a de que por trás da diversidade cultural e religiosa que divide os seres humanos, existe uma unidade eterna e que deve ser cada vez mais revelada, pois é ela e somente ela que vai trazer a verdadeira paz a humanidade: A de que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai.

Shalom!
More Ventura! Judaísmo é atitude!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Parashá Itro - Um choque de gestão!


                                         
Amigo, já tivestes o desprazer de trabalhar com um daqueles pitorescos profissionais, dirigentes ou voluntários que centralizam em suas mãos as mais variadas e até mesmo contraditórias funções, sob o pretexto discretamente alardeado aos quatro cantos do universo, de serem os mais experientes e abnegados elementos da equipe, ou da comunidade?

Já te destes conta de que geralmente os fardos extras que estes “líderes” escolhem suportar, curiosamente trazem consigo alguma glória ou bônus, que acaba por torná-los mais semelhantes a asas do que a fardos?

Amigo, você já sacou que varias destas funções extras, se não fossem “anexadas” por estes abnegados palatinos do voluntariado, estariam prontas para serem desempenhadas por promissores jovens que através de sua disposição e renovação se destacariam, possivelmente vindo a ofuscar alguns obsoletos e oportunistas veteranos? 

Pois é... Agora imagine como reagiria um destes nobres oportunistas se recebesse uma visita inesperada de seu sogro na instituição onde se promov... quer dizer, trabalha, e que este viesse logo de cara com uma batelada de críticas a sua gestão e com sugestões que promovessem a descentralização e a distribuição do poder concentrado em suas mãos.
Não sei como reagiria nosso colega, mas se pudesse, eu lhe recomendaria uma leitura de “auto ajuda”, facilmente encontrada na Parashá desta semana.

A Lição:
 Nesta parashá, a Torah nos conta sobre o reencontro de Moises com seu sogro Itro e com sua esposa e filhos após o êxodo do povo hebreu do Egito.

Continuando este relato, somos informados de que Itro, logo após os salamaleques iniciais, da um puxão de orelha em Moshe por perceber o quanto este centralizara o poder em suas mãos, tendo se tornado o único juiz do povo de Israel.

Um pouco mais adiante conhecemos o famoso conselho de Itro: Formar uma nova geração de juízes, de modo a descentralizar o poder, otimizando os resultados e fomentando o desenvolvimento do povo como um todo e principalmente de sua juventude, responsável por seu futuro e continuidade.

Como Moshe reagiu ao que muitos chamariam de ingerência inoportuna?
Da forma mais humilde e eficaz possível! Implementando a descentralização aconselhada por seu sogro e organizando o povo de forma a estarem preparados para receber as leis da Torah, próximo passo em sua jornada espiritual rumo a terra prometida!

Alo! Alo! voluntariosos voluntários: Humildade? A gente vê por aqui!

Chega de "Blablabismo"! Torah não é discurso, nem de palanque e nem de púlpito! Torah é dia a dia. Torah é vida... e judaismo é atitude!!!
More Ventura!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Judaísmo - “Pedimos a Deus que ela nunca mais reencarne”



“Pedimos a Deus que ela nunca mais reencarne”

Amigo leitor... Adivinhe onde li esta frase? .......................................................................................

Errou! Tenho certeza de que você errou, pois neste caso a realidade supera a ficção!
Li esta “tragicômica pérola” numa antiga lápide de uma jovem falecida, que repousa no cemitério israelita do Embu, trazida juntamente com outras colegas de descanso eterno, de uma velha necrópole judaica abandonada – Não me pergunte o motivo.

O porquê de seus entes queridos – Ou não tão queridos  - terem mandado gravar esta mensagem eu não sei, mas guardo comigo minhas  teorias:

-Quem sabe a vida da moça tenha sido tão sofrida que eles, querendo poupá-la de possíveis novas desventuras, fizeram o estranho, porem piedoso apelo?
-Talvez a moça os tenha incomodado muito enquanto viva e por isso eles, com receio de reencontrá-la em algum outro canto do tempo e do espaço, pediram arrego a Deus.
-Ou talvez pode ser que eles tenham infligido tantos sofrimentos a ela, que acabaram ficando com medo de reencontrá-la, tornando se assim, alvos de retaliações.

-Bom, meu caro amigo, não adianta me olhar com essa cara de curioso, pois eu não tenho nenhuma idéia sobre a verdadeira causa do estranho pedido!

O que sim posso (quase) afirmar é que qualquer que tenha sido o motivo dos requerentes, sua requisição não poderia jamais ter sido atendida, pois de acordo com a tradição judaica, o retorno da alma ao mundo físico, depois de um período de novas vivências espirituais, tem como objetivo proporcionar a ela, novas e mais adequadas configurações de vida, para que por meio destas, possa revelar suas características positivas e eliminar as negativas, trazendo à tona a sua própria luz espiritual, que nada mais é do que sua essência Divina, e ao encontrar sua essência Divina, ela encontrará o próprio Deus, finalidade e objetivo de toda a evolução!

Portanto, se a pobre alma fosse privada de seus direitos de retorno, ficaria automaticamente privada de sua luz e, portanto, da própria revelação de Deus, se tornando assim opaca e penada, bem menos assustadora e nociva, porem, do que os fantasmas mentais de seus entes queridos  - ou não tão queridos - que a teriam colocado nesta posição!
Mas como Deus é Pai... certamente deve ter dado colo e amparo a estes assustados e confusos filhos, que já devem ter ido e vindo um montão de vezes, provavelmente acompanhados de sua querida - ou  até então não tão querida - alma!

... E nós? Quem somos nós e o que será que estamos fazendo aqui? Você ja parou para pensar?

Bom dia a quem acorda e boa noite pra quem vai dormir e tudo de bom a todos, sempre!
More Ventura.

domingo, 22 de janeiro de 2012

No fundo, no Fundo... Somos todos iguais!




Foram estas as palavras gritadas por um vaidoso, autoritário e famoso bilionário a seus INFERIORES, enquanto imaginava-se protegido pela intimidade de seu luxuoso, seguro e aconchegante recinto:
-Saiam já daqui! Saiam! Saiam!
-Eu falei para vocês irem embora!
-Vocês são ASQUEROSOS! Estou passando mal e não gosto de ser contrariado!
-Não aguento mais! Se não saírem por bem, vão ter que sair por mal. Vou ter que usar a força! 


Após um misterioso silêncio, foram ouvidos três sons rapidamente silenciados, logo seguidos por uma gargalhada e pela seguinte frase:
-Adeus fedorentos! Vocês conseguiram me ferir, mas agora... vou mandar todos para o buraco! He he he!


...Tudo parecia ter morrido entre quatro paredes, mas o que o elegante e famoso senhor não sabia é que um simples faxineiro, que passara justamente naquele momento em frente ao local da cena, espantado, ouvira e anotara  todo o conteúdo do"dialogo". 
Segundo o testemunho do rapaz, a última frase do patrão antes de sair de seu recinto teria sido:
-Ahhh! Que alívio!


Ao avistar o pobre faxineiro o rico e vaidoso senhor, enrubescido pensou:
-Espero que ele não tenha ouvido os meus gritos no banheiro, senão descobriu o meu  grande segredo, de que no fundo.... somos todos iguais!


É o que diz o livro dos provérbios do rei Salomão:
"Aqui os ricos e os pobres se encontram!" - 
("Curiosamente"esta frase se encontra em cima do portão de entrada do cemitério Israelita! - Porque será...?)


Abaixo a arrogância e a prepotência! Viva a simplicidade e a empatia!
Abraços - More Ventura!


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Judaísmo - A Beleza por trás dos textos da Torah!



Foto tirada na passagem subterrâneo da Av Consolação



            Os  Padrões

Existem crônicas e crônicas, histórias e histórias. A diferença entre elas reside na trama, na riqueza da linguagem usada, na habilidade do escritor em manusear as palavras, em seu poder de descrição dos ambientes, na riqueza dos diálogos e nas emoções e reflexões que despertam no leitor. Mas o que pode nos apontar que uma história fora elaborada a partir de um nível mais profundo e complexo de inteligência?

Num âmbito mais matemático e esotérico, na Torah são apontados vários padrões de codificações, onde palavras ocultas, que trazem consigo interessantes mensagens são encontradas, permeando de forma harmoniosamente secreta o seu texto.

Estes padrões ocultos, decididamente apontam para uma inteligência superior, pois somente uma inteligência desta classe poderia elaborar tal tipo de codificação, que apesar de densa, não prejudica nem a plástica e nem tampouco o conteúdo do texto, alem de revelar informações relacionadas ao futuro ou a mistérios desconhecidos.
Este tipo de código é muito interessante, mas hoje quero começar a falar sobre outros tipos de padrões que percebi ao refletir, discutir e analisar as histórias da Torah, principalmente tendo vários de meus maravilhosos alunos como interlocutores.
Estes padrões, diferentemente dos citados anteriormente, não são codificados, nem contem informações relativas ao futuro. São simplesmente revelações da forma como Deus atuou nas vidas de nossos antepassados e de como certamente continua atuando nas nossas.
Foto tirada na passagem subterrânea da Av Consolação
Para começar nosso estudo, vamos refletir sobre os relatos bíblicos a respeito da vida de Avraham, nos quais podemos observar um padrão constante, onde situações aparentemente prejudiciais a seus objetivos se transformaram justamente na causa do advento destes.
A primeira aparição de Avraham na história da Torah aconteceu de uma forma curiosa e enigmática, em se tratando de alguém que se tornaria um dos maiores guias da humanidade, pois seu debute se deu numa situação na qual ele atuou como mero personagem passivo de um plano que terminou abortado:
Seu pai Terakh, o tirara de sua cidade natal Ur, para juntos migrarem para Canaã. No meio do caminho, porém, a idéia fora abortada e os dois acabaram fixando morada na cidade de Haran.

Por que e para que isso aconteceu?

Tempos depois, ao se revelar para Avraham, Deus presenteou-o justamente com a posse da terra de Canaã, pedindo lhe que para la se dirigisse.
Seria mera coincidência o fato de a terra prometida a Avraham ter sido exatamente aquela almejada e deixada de lado por seu pai, anos antes?
Certamente não, pois justamente graças ao plano abortado, que Avraham se encontrara, já ao receber a revelação Divina, mais próximo da terra prometida, tanto no campo físico, quanto no âmbito das idéias, o que certamente facilitou a jornada e sua aceitação por parte da familia!
Aqui, já no inicio da historia do patriarca podemos testemunhar a ocorrência do padrão que seria uma constante em sua vida:
Antes da conquista, um aparente contratempo, que se converteria num facilitador ou na própria causa de sua benção.
Agora, motivado pelas promessas de Deus, de acordo com as quais seria abençoado com proteção, renome, riqueza e descendência, Avraham partira rumo à terra prometida.

A seca e a “colheita”.

Meses depois, de se estabelecer em Canaã, Avraham teve de se exilar no Egito devido a seca que assolava a terra prometida.
Agora ele parecia mais distante do que nunca das bênçãos prometidas pelo Criador.
Completamente desprotegido, perdera suas terras, perdera riquezas na forma de rebanhos, perdera o renome que vinha conquistando em Canaã e o pior de tudo: Perdera sua esposa Sarah, que por sua beleza fora levada ao Faraó para que este a tomasse por mulher, ficando assim privado daquela que lhe daria a descendência.
E o que aconteceu logo depois? A salvação e muitas bênçãos trazidas justamente pelo aparente contratempo recém superado:
Por conta da interferência Divina, Faraó devolvera a esposa para Avraham, indenizando-o com muitas riquezas em forma de animais, servos e servas, uma das quais se tornaria futuramente a mãe de um de seus filhos, Ismael.
Após estas reparações, Faraó enviou Avraham e Sarah de volta a terra de Canaã, a qual encontraram vívida e hidratada pelas águas da chuva.
E então gente boa? Você percebeu novamente o padrão por trás dos fatos?

Mas e as bênçãos de renome e proteção?

Algum tempo depois de seu retorno a Canaã, Avraham ouvira assustado a notícia da captura de seu sobrinho Lot, que fora levado juntamente com os habitantes da rica cidade de Sodoma, pelos reis conquistadores da Mesopotâmia.
Juntamente com alguns aliados e com centenas de seus seguidores, Avraham liderou um exercito que venceu os invasores, libertando os cativos e recuperando seus pertences. A ele foi oferecido pelo rei de Sodoma a posse de suas riquezas em troca da devolução de seu povo. Avraham abdicou de ambos.
Com esta vitoria o Patriarca percebera pairar sobre sí as bênçãos de proteção e renome, pois alem de vivenciar a proteção Divina nos campos de batalha, testemunhara a consagração de seu nome, pela vitória e por ter abdicado a recompensa.
Hum... O que vemos aqui?
O padrão se repetindo!
Primeiro veio a má notícia da captura do sobrinho acompanhada pelo temor da guerra. Depois veio a vitória na batalha, acompanhada do sentimento de proteção Divina e do conseqüente renome.

A circuncisão e a verdadeira descendência.

Já com idade avançada, Avraham recebera a ordem Divina de se circuncidar, o que certamente colocaria em risco sua capacidade de aumentar a prole, formada por seu único filho Ismael, gerado não por sua legitima esposa Sarah, mas sim por Hagar, a serva egípcia.
Três dias após cumprir a ordem Divina, ele recebeu a visita de três anjos que lhe deram as boas novas sobre a chegada de mais um filho, que seria gerado desta vez, por sua esposa Sarah.
A conexão entre o cumprimento da circuncisão e vinda de mais um filho é obvia!
E então amigos? Estão convencidos de que temos aqui um padrão que se repete? Uma intenção mais profunda por trás dos fatos? (e do texto?)

O Sacrifício de Isaac.

Quando Isaac, o escolhido de Deus para suceder Avraham já era crescido, seu pai fora ordenado a sacrificá-lo, o que impossibilitaria a geração de um povo, benção prometida por Deus no inicio de sua historia com Avraham.
Logo após ser impedido de consumar o sacrifício, Avraham recebeu de forma tardia, a notícia do nascimento de uma sobrinha, o que somado a quase perda do filho, motivou-o a enviar um servo à sua terra para buscar uma noiva para Isaac, resultando em seu casamento com a prima Rebeca, com a qual gerou Jacob, que deu origem as doze tribos, perpetuando a semente de Avraham, formando o povo de Israel.
Entao... Novamente o padrão:
A dificuldade foi o Sacrifício, que trouxe em seu esteio o casamento e a continuidade!
E Por que Avraham teve que ter justamente este padrão atuando em sua vida?
Ah.... Isso é tema para outro dia, pois se a gente continuar... Vai acabar virando um livro!
Mas antes de terminar eu só queria compartilhar com vocês uma reflexão:
Assim como Avraham era guiado por um padrão que o direcionava à evolução naquilo que mais carecia, cada um de nós também o somos! Basta prestarmos mais atenção a seqüência dos fatos que nos acontecem e então descobriremos o padrão por trás deles, que nada mais é do que a orientação particular que recebemos “La De Cima”!

Ps: "Nunca se esqueça de perguntar para ........... Você!"

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Judaísmo - Jejum de 10 de Tevet - Vamos estraçalhar o inimigo!!



Dia Dez do mês de Tevet.

Neste data, a aproximadamente 2500 anos, os babilônios, sob a batuta do imperador Nabucodonosor, deram início ao cerco de Jerusalém. Os motivos que os levaram a fazer isso, diferentemente do que muitos insistem em ensinar, não foi o anti-semitismo, nem o ódio a Torah, mas sim, a busca de riquezas e domínios territoriais.

Esta “política econômica”, assim como em nossos dias, já era muito difundida naquela época. A única diferença é que naqueles tempos não havia necessidade de se inventar pretextos bonitos como os que são forjados hoje em dia para se abocanhar as riquezas alheias. Naqueles dias era assim:

O país dominado deu a grana para o dominador? Beleza! Não deu? Dançou!
E olha que o “Nabuco” ainda foi paciente, pois foi somente depois de ter trocado dois de nossos reis que se negaram a lhe pagar os (in)devidos tributos, que ele finalmente mandou seu exército dominar o reino de Judah.

Já em território Babilônico, os judeus em sua maioria, se ajeitaram muito bem, com vários deles se tornando ministros e conselheiros do próprio imperador. Os mais famosos destes foram Mishael, Hanania, Azaria e o profeta Daniel.

A adaptação dos patrícios às terras de “Interlagos” – Mesopotâmia - foi tão boa, que anos mais tarde, quando Coresh, o imperador Persa conquistador da Babilônia, postou a eles a possibilidade de retornarem à sua pátria, poucos a curtiram e a compartilharam, com a maioria preferindo ficar nas terras de seus conquistadores.

Bem amigos... então... Se nem os conquistadores e nem o exílio foram tão cruéis, qual deve ser o nosso foco neste jejum? Sobre o que devemos nos lamentar neste dia?
                                                     
Para responder a esta questão, trago uma passagem do Talmud:

“Nabucodonosor não destruiu o Templo, ele apenas remoeu farinha moída, pois o verdadeiro templo, ou seja, a sua essência espiritual, já havia sido destruída pelo próprio povo judeu.” (Que abandonou os valores espirituais e sociais de sua própria cultura, em troca dos valores materialistas dos povos vizinhos).

A resposta a pergunta anterior, à luz desta citação, é simples: O foco deste jejum e de nossas lamentações e lutas neste e em todos os outros dias devem ser os nossos maiores e mais perigosos inimigos, os inimigos internos, que nos enfraquecem como indivíduos e como grupo, escancarando nossas portas para todo tipo de invasor ou inimigo, sejam este drogas, racismo, miséria, tristeza e etc.

Se queremos ser fortes de verdade... Antes de olharmos as falhas alheias, vamos nos focar em consertar os nossos próprios defeitos e em reforçar as nossas virtudes, reconstruindo assim o maior de todos os Templos, de todos os Tempos:
A alma e o Espírito do ser humano!
Um grande abraço! More Ventura!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Judaísmo - "Fofocas" sobre Hanuká!


Uma vez eu li um artigo muito bom, que dizia o seguinte:
Os heróis contemporâneos, em sua maioria, somente continuaram sendo reconhecidos como heróis porque morreram cedo.
Mas o que teria acontecido se eles tivessem “sobrevivido” aos seus atos de heroísmo? O autor da matéria imaginou, por exemplo, que Che Guevara, (um dos maiores símbolos do heroísmo juvenil), se estivesse vivo, talvez estaria barrigudinho, careca, elitizado e envolvido em escândalos e C.P.Is.
Imaginação a parte, quero contar para vocês alguns fatos pouco conhecidos do grande público a respeito da continuação da história de Hanuká, pois a história, diferentemente de seus protagonistas e coadjuvantes, se mantém sempre viva; o que morre é a memória!
Mas... Vamos ressucitá-la!
Os macabeus:
 Antes de sua morte ainda nas batalhas, (139 A.E.C.), Yehudá - Judá o Macabeu, enviou uma delegação a Roma, que se manifestou abertamente a favor dos judeus em sua luta pela autonomia frente aos Gregos/Sírios.
Roma fez isso, porque vinha crescendo como império e se interessava no enfraquecimento das outras potências.
Na segunda geração após a vitória de Hanuká, Yohanan Hurquenus, o filho do macabeu Shimon, assumiu além do sumo-sacerdócio, o reinado de Israel, o que foi mal visto por muitos, pois ele não era um descendente da Casa do rei David e também por que acumulava dois cargos de muito poder.
Este rei conquistou vários territórios ao redor de Israel, de modo a controlar todo o contato terrestre entre a África do Egito e o restante do mundo, o que lhe rendeu impostos e pedágios sobre os bens transportados através de seu país.
Ironicamente, Húrquenus também forçou a conversão ao judaísmo de vários dos povos por ele conquistados, o que lhe rendeu várias críticas por parte dos sábios religiosos.
Depois de sua morte, seu filho Alexandre Yanai se tornou o rei. Alexandre foi conhecido por sua rixa e crueldade contra os Fariseus, (sábios da tradição oral – Mishna). Também era conhecida sua admiração pela cultura grega!
Depois de sua morte, Alexandra Sulamit sua esposa reinou. De acordo com o Talmud, o período de seu governo foi um dos melhores e mais pacíficos que o povo judeu experimentou.
Após o falecimento da rainha, uma luta feroz entre seus dois filhos se instalou, com direito a mutilações e outros “requintes”mais.
Hurquenus e Aristóbulus eram seus nomes – (Amigos, vocês perceberam quantos nomes gregos tinham os “novos Macabeus” ?! ).
Agora vejam que ironia:
Antipater, um descendente de judeus e idumeus convertidos à força pelo rei Yohanan, buscando um espaço no poder real, atraiu poderosos árabes para intermediar a briga, com o intuito de ajudar um dos irmãos a conseguir seu intento.
No final, quem deu as cartas foram os romanos, que escolheram Herodes, filho de Antipater, para ser o novo rei dos judeus.
Herodes, o rei com a graça de Roma, ficou famoso por suas grande obras, como a reforma do Templo, a cidade de Cesaréia e a fortaleza de Massada. Em seu governo houve relativa paz em Israel.
Herodes Também ficou conhecido por sua mania de perseguição e crueldade com que tratava seus desafetos, entre eles alguns de seus filhos e sua esposa Miriam, descendente dos macabeus.
Pouco tempo depois de sua morte, os romanos começaram a governar Israel de modo direto e insensível, o que levou a revoltas por parte dos judeus e à destruição do Templo no ano setenta de nossa era.
Enfim, como podemos ver, a história também continua, as vezes se tornando barrigudinha e carequinha e se envolvendo em escândalos variados.
Entao...O que fazemos nós, simples coadjuvantes ?
C.P.I !
Vamos levar a história ao conselho de ética, para condenarmos suas “quebras de decoro parlamentar”, sem deixarmos, é claro de aprender de seus bons exemplos e verdadeiros heróis!
Feliz Hanuká!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Do lado de la" - Modê Ani!



-Pena que ela partiu. Gostava tanto de sua companhia!
-É verdade, era uma boa alma!
-Fez tão bem para nós... Era tão iluminada!
-Porque ela teve que partir justo agora? Tínhamos acabado de nos conhecer.
-E já marcou tanto em mim!
-Agora vai voltar para as profundezas...
-Do pó viestes e para o pó voltarás!
-É a terra...
-Já chorei muito na minha vida... Nessas alturas nem tenho mais como chorar.
-Nem que você quisesse, conseguiria. Porque nessas alturas...
-Agora só nos resta acompanhar sua descida às profundezas.
-Olha La, olha la! É o marido dela!
-Ta indo na direção do corpo. Eu não quero nem ver. É muito triste para mim.
-Não fique assim amiga a vida não acaba. Isto é somente uma passagem!
-Não agüento mais estas perdas, todos os dias nos apegamos a alguém e todos os dias alguém se vai.
 -Não se desespere, em breve estaremos todas novamente juntas!
-Nããão! Ela se foi! Não está mais entre nós, ouça:


Enquanto isso: "Do lado de ca"

-Bom dia querido! Bom dia crianças! Se troquem rapidinho pra gente ter tempo de tomar o café da manhã. O dia está lindo, os pássaros estão cantando e o Sol está brilhando. Vamos passear!!!



Quinze horas depois, “Do lado de La”:

-Ei olhe quem vem La! ela voltou!
-Eu não te disse que aquilo não era o fim, amiga?

Modê Ani

De acordo com a tradição judaica, ao dormirmos, nossas almas se libertam do mundo material e “navegam” na outra dimensão. Por isso, quando acordamos, a primeira coisa que falamos é o “Modê Ani”*, um agradecimento a D’us por termos retornado seguramente de nossa viajem transcendental”!

“Modê Ani” – Acorde o dia celebrando a Vida!

*Modê Ani Lefanêrra Melekh Khai Vekaiam Xeherrezárta Bi Nixmatí Berremlá Rabá Emunatêrra.

Agradeço a Ti, Rei da vida e da existência que com piedade devolvestes a mim a minha Alma. Grande é a minha fé em Ti!



(A pronuncia do kh é igual a do RR)

Gostou? Comente e curta/recomende no espaço abaixo, assim você me ajuda a divulgar! Abração! More Ventura!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Haifa - Minas Gerais. Tava escrito nas estrelas!!!



O dia era quente, o céu limpo e as ruas movimentadas. Eu acabara de sair do escritório da agência judaica que se localizava no bairro do Bom Retiro, berço da comunidade judaica de São Paulo.
O que fui fazer ali? Acertar os detalhes finais para minha ida a Israel, Haifa, onde cursaria o colegial em Yemin Orde, uma espécie de colégio interno onde vivem e estudam jovens judeus do mundo inteiro.
Minha cabeça estava em Israel, meu corpo estava no Bom Retiro e meus olhos procuravam o ônibus que me levaria aos Jardins.
Ótimo! O ônibus chegou. Meus olhos novamente se reuniriam ao meu corpo, mas minha cabeça, mais do que nunca, agora estava cindida entre a America do Sul e a Ásia Menor.
Após encontrar um assento no ônibus, sentei me e pus me a fazer o que considero uma das coisas mais úteis em momentos de confusão, gratidão, e outros sentimentos comuns a nós, seres humanos:
-Meu D’us... Me ajude, por favor! Não sei se devo ir ou ficar. Será que este colégio Yemin Orde é legal ? Será que devo deixar essa idéia mais para a frente? Será que o Saddam Hussein vai jogar um Míssil em minha cabeça?
Enquanto minha mente tentava se libertar do labirinto de “serás”, ouvi uma misteriosa voz que me respondeu:
-Yemin Orde é muito legal...
-Neste momento meus sentidos se aguçaram! Pensei:
-Ainda nem pisei na terra Santa e já estou desfrutando do dom da profecia. Fiz uma pergunta em pensamento e já estou ouvindo a resposta! Será que receberei mais mensagens do Alem?
-Logo as misteriosas mensagens continuaram a chegar:
-Eu estudei La no ano passado e adorei!
-Uuaaau! – Pensei - Nunca imaginei que as profecias viessem em vozes de moças adolescentes...
Olhando para trás percebi que a fonte das “mensagens” era duas meninas que conversavam animadamente sobre aquilo que mais me interessava no momento!
Coincidência? Kkk! Tem que ter muita “desfé” para achar que este tipo de coisa é uma simples coincidência! – Pensei.
-Ok, Entendi meu Pai... Está decidido! Vou para Israel!
Alguns dias depois, eu estava no carro com a minha mãe. Ela estava procurando um mercadinho de comidas japonesas no bairro da Liberdade, quando um estranho pensamento, (em se tratando de um adolescente), me perguntou:
-Com quem você vai se casar?
-Eu gostaria de me casar com uma moça do interior, (de preferência de Jundiai). – Respondi - Por que as meninas da cidade estão muito fúteis, só pensam em aparência, roupas e modas...
-Mas, por outro lado...Eu quero seguir o judaismo e criar os meus filhos na minha religião e para isso eu devo me casar com uma mulher judia e no interior não existem meninas judias...
Enquanto isso em Israel, no topo do Monte Carmel, onde o profeta Elias confrontara e vencera os profetas do Baal. Onde o mesmo Elias declarara aos Israelitas servidores do deus Baal que não poderiam mais se debater de um ideal oposto ao outro, um “profeta menor” dizia a uma filha de Israel:
-Você precisa conhecer o meu amigo Gilberto Ventura! Eu tenho certeza de que vocês vão se dar bem. Vocês combinam muito!
-Menino... Você deve estar louco! Eu nunca vi esse cara na minha vida! (Disse a moça, sem conhecer a citação talmúdica que afirma haver profecia nas palavras dos loucos).
Alguns dias depois eu cheguei à Israel. Era um sonho antigo, (tão antigo quanto permitia a minha curta idade de dezessete anos).
Quando finalmente cheguei ao colégio, (de onde quase fui expulso meses depois), me reuni numa sala ao grupo de estudantes brasileiros. Em pouco tempo ouvi meu nome sendo anunciado em tom de bronca:
-Gilberto?!
-Presente – Respondi surpreso.
-Por favor, pegue a sua mala! Você a esqueceu La fora! – Disse uma gentil filha de Israel com um Familiar Erre carregado.
-Obrigado! Qual é o seu nome ? – Perguntei.
-Jacqueline. – Mal sabia aquela menina quantas malas esquecidas por mim ela ainda teria de carregar, e quantas vezes eu mesmo seria a própria mala, ou, melhor dizendo: O próprio mala!
-Depois de alguns dias, apareceu na janela do meu dormitório uma visita:
-Oi! Você é o Gilberto, não é?
-Sim e você ? – (Ai, ai... Minha memooooooria !!!!!!!)
-Sou a Jacqueline, que trouxe a sua mala, você não se lembra?
-Puxa vida! É verdade. – Disse eu – Muito obrigado, você foi muito gentil comigo.
-Enquanto estavamos nas amenidades, tudo ia bem, mas quando cheguei aos finalmentes...
-De que cidade você é? - Perguntei.
-Muriaé – Respondeu a jovem.
-O que ?! Aonde fica isso ? – Indaguei incrédulo, enquanto me beliscava, para me certificar de que não estava sonhando..
-Interior de Minas Gerais – respondeu a filha do Interior mineiro, enquanto puxava a letra Erre.
-Naquele momento me vieram em mente as “mensagens” que ouvira um mês antes dentro do ônibus no bairro do Bom Retiro. Me lembrei da minha reflexão dentro do carro de minha mãe no bairro da liberdade a respeito de minha futura noiva. E agora, mais do que nunca, a célebre frase do profeta Elias, declarada naquele mesmo monte Carmel onde agora me encontrava, fazia total sentido: Até quando você se debaterá entre dois ideais opostos?
No meu caso, a resposta havia chegado: A contradição chegara ao fim!
Muriaé e Haifa...Numa pessoa só!

Mazal Tov, sô!
Jacque... Te amo e Parabens pelo seu aniversário!!!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

E a vida o que é ? Diga la meu irmão!


Existe um dito do Rei Salomão que diz: “É melhor ir para a casa do enlutado do que ir para um banquete, pois esse é o fim de todo homem, (a morte física), e o vivo deve incorporar, (essa mensagem), em seu coração .” (1)
No Talmud consta: Os justos mesmo quando falecem são chamados vivos e os perversos, mesmo quando vivos, são chamados de mortos. (2)
Depois de citar estes dois ditos e antes de concluir alguma coisa sobre eles, quero analisar duas questões referentes á passagem da Tora que envolve o assunto “morte” de uma forma chocante:  O Sacrifício de Isaac. (3),  a passagem onde o Criador ordena que Abrahão sacrifique seu filho para Ele.
-Como Avraham acatou uma ordem dessas?
-Como D’us pediu algo assim para ele ?
Vou escrever aqui o que eu penso, obviamente sem a pretensão de dar uma resposta definitiva e absoluta.  Essa é apenas a minha opinião:
-A dificuldade que encontramos ao tentar resolver estas perguntas se origina em um erro de formulação, pois estas questões tem em sua composição uma mistura de dois sistemas de valores contraditórios: O nosso, (tentando nos colocar no lugar de Avraham), e o de Avraham, (que tinha um sistema de valores completamente diferente do nosso) !
-Na visão de mundo contemporânea, (a “nossa”), o corpo, a saúde, a beleza física, a força e a imagem são temas principais. Portanto o fim da vida material significa a morte de todos estes assuntos centrais de nosso dia a dia, ou seja é "A" MORTE !
-Na visão de mundo de Avraham, a busca pela verdade, o amor ao próximo, a fé e a ”vivência” espiritual são o centro de tudo e com a morte física nada disso se extingue, ao contrario, estas vivências, por serem de ordem  espiritual somente se reforçam.
Mais uma diferença entre nós e Avraham:
Em nossa sociedade buscamos ter o controle de absolutamente tudo, deixando pouco espaço para a fé. Achamos que podemos e devemos estar sempre no comando, deixando pouco espaço para D’us em nossas vidas. Não seria isso o reflexo de uma fé fraca e relativa ?
Avraham, por outro lado, também teve suas dúvidas e dilemas, porem, através de sua busca sincera e experiências intensas, ultrapassou o conceito de fé, chegando ao nível de conhecimento do Criador e de seu poder.
Enriquecidos por estas reflexões, podemos concluir que no caso de Avraham a ordem de oferecer o filho em sacrifício não significava a mesma morte e extermínio que significaria em nossa sociedade atual, portanto tal ordem não era absurda, (no contexto mental de Avraham), quanto pode nos parecer.
Certamente, (pensava Avraham), se fosse consumada a oferenda, este ato traria consigo, entre outros sentimentos, saudades, mas estas saudades viriam acompanhadas da certeza de que este filho estaria na outra dimensão, tendo chegado através de um ato de sacrifício ao Criador que certamente o recompensaria por isso. Além disso, como conhecedor do campo espiritual, Avraham tinha certeza de que seria somente uma questão de tempo o reencontro com seu filho Isaac.
Depois de compreendermos a grandeza do nível espiritual ideal, que não se baseia em fé, e sim no conhecimento do Criador e do mundo trnanscedental, podemos compreender o objetivo dos dois ditos citados no início do artigo: Mostrar que a verdadeira vida é aquela focada na nossa essência, no que FICA, no desenvolvimento de nossos potenciais emocionais e espirituais, que são a manifestação de nossas almas nesta vida terrena, de modo a termos uma vida serena, mais plena e coerente com nossos anseios mais profundos de eternidade, felicidade, justiça e paz, pois esses sim são estados que mantem o ser humano pleno e feliz!
No final, D’us não quis o sacrifício físico do filho de Avraham, e sim a transformação, a mudança de perspectiva:  A Vida espiritual é Eterna mesmo “após a vida” – A vida destituída de valores é Morte, mesmo “em vida”.
Muita Luz, Vida, Paz e Felicidade para todos.
More Ventura.

(1) Eclesiastes 7/2
(2) Talmud Yerushalmi  brachot 15 B
(3) Genesis 22

domingo, 30 de outubro de 2011

Judaísmo - A verdadeira oração e o grande mestre Baal Shem Tov !!!

Judaismo - Amen ? Pra que dizemos Amen, hein ?


Esses dias um amigo me perguntou:Qual a importância, o significado e quando falamos a palavra Amen?

É uma pergunta que tem a ver com o ano inteiro, mas que de certa forma tem ainda mais a ver com o dia de Yom Kipur, Porque nesse dia quando estamos na sinagoga, ouvimos o Chazan, (puxador das rezas), falar um monte de bênçãos e respondemos um montão de vezes a palavra AMEN.
Lembro quando meu caçula era menor, uma vez em yom kipur, depois de falar uns 30 “améns”, ele soltou um “Superamen”, tipo... esse vale por 1000 !!!
Bom, voltando ao assunto... Aí vai um primeiro pensamento:
Se eu gosto muito de alguém, eu me manifesto sempre que falam algo sobre ele. Assim, se eu ouvir, por exemplo, alguém falar dos meus filhos... Nunca vou ficar calado, tanto para o mal quanto para o bem. Desta mesma forma deve ser em relação a Deus, quando ouço alguém falar bem Dele, logo emendo um “Eu também”, ou seja: Amen !

"Aquele que diz Amen supera o nível do que diz a benção"

Uma vez, estudando o Talmud Berachot, (53 B), que discute as leis referentes às rezas, achei um comentário muito curioso, de um grande sábio, chamado Rabi Yossi: "Maior do que o que diz a benção é o que responde Amen!". Rabi Nehorai explicando este dito, compara o que abençoa a soldados razos que chamam os inimigos à guerra e o que responde Amen aos Valentes que de fato vencem a luta. 
Mas... como compreender esta comparação ?
Meditando sobre esta passagem penso o seguinte: o objetivo da benção de agradecimento, é proclamar e reconhecer a Grandeza de Deus. Aquele que diz a benção, logicamente está anunciando que reconhece esta grandeza, porem é motivado por algo que o impele a fazer isso, como por exemplo a ingestao de algum alimento. Por outro lado, aquele que responde Amen, chega ao objetivo da benção de forma muito mais desinteressada e eficaz, por que louva ao Criador mesmo sem estar recebendo algo específico no momento. Talvez por isso Rabbi Yossi dia que o que diz Amen é mais eficaz do que o que proclama a benção, pois seu louvor é mais desinteressado e não depende de nada !

O Amen é Coletivo !

Pensei tambem em outro aspecto do ato de se dizer Amen que o torna tão importante: A prática da humildade e dos sentimentos de companheirismo, união e pertinência. Mas tudo isso, por que ? Por que quando uma pessoa Bendiz o Eterno, pode fazê-lo sozinha, mas para se dizer Amen, deve se ter no minimo mais uma pessoa junto, alem do fato de o "respondedor" se colocar como "secundario" em relação a pessoa que diz a Brachá.

Quando falamos Amen ?

De acordo com a lei judaica, a halachá, a gente tem que falar Amen sempre que a gente ouve uma Brachá, ou seja uma benção ritual, seja de alguem que está agradecendo por algum alimento, pelo funcionamento de seu organizmo ou pelo desempenho de um mandamento Divino. Tambem falamos Amen quando ouvimos alguem abençoar a uma pessoa ou a nós mesmos, ou quando pede algo a D'us, (obviamente temos que concordar com o que está sendo pedido).

O significado da palavra:

Existem várias interpretações desta palavra, mas a minha preferida é a que a liga com a palavra EMUNA, que significa fé e fidelidade. De acordo com essa compreensão, esta palavra expressa minha fidelidade ao confirmar as bençãos direcionadas a Deus e a fé que tenho no Criador, Fonte de todas as bençãos !!!

Tradução livre:

Dependendo da situação, a palavra amen pode significar:
"É verdade!"
"Concordo!"
"Que assim seja!"

Curiosidade

Na Talmud Shabat, (119 B), que trata das leis referentes á guarda do sábado, um Rabi chamado Reish Lakish explica que As palavras El Melech Neeman - Poderoso Rei Fiel, tem como iniciais as letras Aleph, Mem e Nun, que formam a palavra Amen. 

Para completarmos com uma Benção :
"Que recaiam sobre nós e sobre os nossos, muitas e muitas bençãos sobre as quais sempre agradeçamos ao Criador e a respeito das quais ouçamos muitos e muitos AMENS !!!"
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