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domingo, 29 de janeiro de 2012

Judaísmo - Eu não sou senhor, eu sou Você!!!





-Caro Amigo, qual é o motivo da sua participação, como ativista judeu, no diálogo inter religioso?

-Diferentemente do que muitos imaginam, o motivo de minha participação no diálogo com outras comunidades não somente religiosas, mas também étnicas e sociais não se limita a busca de um convívio pacifico entre as pessoas e as comunidades, objetivo que por si só, já a justificaria.

-Então existe um motivo maior?

-Sim, para mim este diálogo é um dos modos mais eficazes de se revelar e de se lidar com a espiritualidade de forma autêntica e construtiva.

-O senhor pode explicar melhor esta idéia?

-Claro que sim: Eu não sou o senhor, eu sou você!

-Ah, me desculpe chamá-lo assim. É somente uma questão de respeito.

-Amigo você não me entendeu. Não estou reclamando do modo como se refere a mim, eu somente comecei a explicar a visão espiritual por trás do meu envolvimento no diálogo.

-Como assim? O senhor pode me explicar novamente?

-Claro que sim: “Eu não sou o senhor, eu sou você”:

-Puxa vida! Desculpe-me, é a força do costume. A Partir de agora eu vou prestar mais atenção e não vou chamá-lo de senhor.

-Então, como eu estava lhe explicando: “Eu não sou o senhor, eu sou você!”

-Mas... agora eu não chamei você de senhor!

-Amigo...  você ainda não me compreendeu:
-A origem de tudo o que existe no universo é Deus, o Criador, a partir do qual tudo emana.
Isto significa que por trás de toda a maravilhosa diversidade e variedade de elementos e indivíduos existente, há uma unidade inquebrantável, baseada na essência Divina que todos nós compartilhamos.
E foi isso meu amigo, que eu quis dizer com as palavras “Eu não sou o senhor, eu sou você”: A base do 
diálogo inter religioso é desfazer os preconceitos e as impressões erradas que classificam negativamente os indivíduos diferentes de nós, revelando que por trás da diversidade, do “eu”, do “você”e do “ele”, existe a bela e poderosa unidade do “Nós”, noção básica para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e fraterna.

Diálogo inter-religioso, inter-comunitário e inter tudo. Enfim... Diálogo! Apóie esta idéia!
More Ventura.

  



 



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Judaísmo - Dialogo inter religioso na OAB Santos.

Kaô Kabecilê! Salve Salve! Asé! Shalom! - Assim comecei minha...
...palestra na OAB do Guaruja sobre a importância do dialogo inter religioso e a cultura de Paz. O evento contou com a presença de varias lideranças religiosas e políticas. Muito obrigado aos amigos Dr Renato Azevedo, secretário do conselho de igualdade racial, Dr Roberto Luiz, Coordenador Especial das Políticas para a Promoção da Igualdade Racial. e Dr Antonio Carlos Arruda, Coordenador das políticas públicas para a população Negra e Indígena do Estado de São Paulo.
O público ouviu a palestra, demonstrando seu interesse através de vários comentários e perguntas sobre o combate a intolerância, judaismo e cultura de Paz.
Depois de minha participação o Dr Arruda fez uma emocionante fala sobre sua relação com a comunidade judaica, com a qual contou em varias de suas ações. Em especial ele falou a respeito de um lindo coral formado por crianças de diversas religioes e classes economicas que ele ajudou a formar e que treinava na sinagoga da Cip.
Alguns dos amigos fizeram observações a respeito de discriminações que vem sofrendo, principalmente em se tratando de praticantes das religiões de matriz africana. Existe muita ignorância e preconceito em relação a estas, o que tem redundado em violência e discriminação contra seus adeptos.
O amigo Dr Roberto Luiz fez um depoimento emocionante e emocionado sobre os desafios e superações que vivenciou - e vivencia -  no importante e valoroso trabalho que vem desempenhando na Coordenadoria Especial das Políticas para a Promoção da Igualdade Racial.

Amigos, o Brasil é abençoado por uma incrível multiplicidade de culturas e pela boa convivência entre seus integrantes. 
Não vamos deixar com que a ignorância e a falsa espiritualidade rompam com esta linda tradição! 
Reconhecendo o valor de cada ser humano vamos dialogar e construir pontes, dissipando assim os abismos da ignorância e constatando a simples e óbvia realidade de que somos todos filhos do mesmo Deus!
Temos em nosso país um potencial único de sermos um exemplo de cultura de Paz para o mundo, não vamos nos render ao fanatismo e a manipulação!
Shalom a todos! More Ventura!


recomendohttp://moreventura.blogspot.com/2012/01/torcidas-de-religiao.html

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Meus irmãos trombadinhas...




Numa madrugada escura de inverno... as cinco e meia da manhã... de baixo do viaduto da Rebouças... Quem vocês acham que estava La?
-Pivetes? Pirilampos?
-Acertaram!
Numa madrugada escura de inverno... as cinco e meia da manhã... de baixo do viaduto da rebouças... vestido de terno e gravata, quipá na cabeça, segurando numa mão uma sacola com exame de urina e na outra o saco do Tfilin... Quem vocês acham que estava La?
-Um parvo e jovem rapaz, tomando um atalho para a sinagoga:
Eu!
Avistando os irmãos de rua,ou melhor de viaduto, cumprimentei:
-Oba!
-Opa! Aí... Nóis num vai fazê nada di mau cocê rapá! Nóis só que dinheru!
-É fica di boua aí, manu...
-Só trabaiâmu cum dinheru!
-Enquanto minha mente tentava entender o exótico dialeto usado pelos nobres mancebos, meu coração rapidamente compreendeu que seria melhor eu cair fora daquele recinto. Dito e feito: Saí correndo e em pouco tempo já me encontrava no.....
.....chão!
Com algumas feridas no braço e um arranhão no joelho olhei para os rapazes, que se mostraram muito interessados em meu “conteúdo”. Por mais que os observasse, era muito difícil definir sua aparência, pois em seus corpos que pareciam envolvidos por uma espécie de luz desfocada, não se percebia um começo ou um fim exato. Não que se tratassem de anjos ou de alguma espécie de seres espirituais, é que meus óculos tinham caído e naquela época eu sofria de miopia.
-I aí manu? Dinheru ou Cartãu?
-Já habituado ao novo dialeto respondi:
-Xéqui! – Não expliquei exatamente a localização, mas eu tinha uma folha de cheque em branco no bolso interno do meu paletó.
-Parece que diante da eminente perspectiva de enriquecimento os sentidos dos jovens empreendedores se entorpeceram, pois por mais que eu explicasse que não se tratava de um talão de cheques, mas de uma folha apenas, o líder da equipe insistia em ordenar a seus pupilos a buscarem um:
-Talão de cheque! Talão de cheque!
Minutos depois, ao serem flagrados pelo poderoso foco da lanterna do grande astro rei, os jovens empreendedores frustrados, decidiram encerrar o expediente. Foi quando um deles percebeu em minhas mãos uma lustrosa pasta de couro, que continha nada menos do que os meus tefilin, os filactérios usados na oração da manhã:
-Pega a sacola! A sacola de couro!
Naquele momento vi a minha pasta de couro sendo passada de mão em mão numa eficiente fila indiana. Em questão de segundos ela já estava a cem metros.
O que eu poderia fazer? Alem de ficar sem os meus tfilin, em pouco tempo aqueles sagrados objetos estariam compartilhando com detritos abjetos alguma lata de lixo num canto qualquer da cidade.
Mas... Alem de larápios, trombadinhas, pirilampos, pivetes, ladrõezinhos e outras definições mais, não seriam aqueles meninos simples seres humanos?
 Claro que sim – Respondi a mim mesmo - E portanto eu poderia apelar à voz de sua consciência:
-Ei! Isso que vocês estão levando no saco é coisa “di rezá”, é coisa “di Deus”!
-Devolvi o sacu pa u moçu, é di Deus, é di rezá” – Disse o chefe!
-É di rezá!
-É di Deus!
Em questão de segundos meus tefilin estavam de volta, são e salvos!
Naquele momento constatei algo muito dificil de percebermos na sociedade preconceituosa e “Apartheidiana” em que vivemos:
Na superfície ou no fundo somos todos Seres humanos...
Quando os “indefiníveis”rapazes já estavam se retirando, tentei apelar novamente a seu “instinto humano”:
-Ei – Gritei – Como é que eu vou sair daqui ? Estou sem os meus óculos e desse jeito eu não enxergo nada!
Naquele momento uma daquelas figuras “indefiníveis”, afastou-se de seu bando e veio me socorrer. Minutos depois, já se voltando para o resto da réstia, o menino disse:
-Ô! Discupa aí manu. Axei seu zóculu não!
Voluntariamente continuei ali sentado por mais alguns minutos, apreciando aquele momento único no qual minha visão indefinida se mostrou a mais adequada para enxergar a indefinível essência do ser “u mâno”.


Ps: "O amor ao próximo não deve ser encarado como uma concessão mas sim como uma constatação!"
More Ventura!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ei! tem um Cristão No Meu Muro!



“Que absurdo... Um cristão?! Um cristão ajoelhado?! Um cristão ajoelhado aqui no Muro das lamentações?! Um cristão ajoelhado aqui no Muro das lamentações e bem na minha frente?! ... E justo nesta noite?!
Bem... Ele está pedindo e vai receber. Nem que sejam uns chutinhos simbólicos no traseiro, mas que vai receber vai... Humpf! Um cristão no Kotel... Na minha Casa! No meu País!”

O clima era quente, como costuma ser no mês de Av, principalmente em se tratando de Jerusalém, que no verão é acariciada pelas ressecadas mãos dos ventos desérticos, exoticamente chamados de Hamsin.
Justamente por ser tão ressecada a noite e por se tratar de um dia de jejum, eu havia passado uns quinze minutos no sanitário urinando. Na verdade se eu contar o tempo de espera na fila, devo ter permanecido ao todo, uns quarenta minutos ali. 
E que recinto caótico aquele! Fazia Jus à cidade mais sagrada do universo, famosa pela loucura per capta acima da média internacional.
Ah! Mas o que tem a ver o dia de Jejum e o clima seco com o longo tempo de permanência no ictório... ops! Mictório? (Desculpem, é a secura da boca!).
É que ao me preparar para o dia mais triste do ano, acabei exagerando na dose, bebendo mais do que devia! Foram uns três litros de água em meia hora. Quase tive um coma hidráulico!
Mas vamos deixar isso para La, porque nessa hora já havia terminado o “vazamento” e o meu problema já era outro, bem mais grave...
O  Cristão!
Não! Cristão não... É o Católico Apostólico RO-MA-NO!
É isso! Um cristão Romano... e são eles! Eles, os romanos, que são os responsáveis por esta tristeza toda. Eles é que são os culpados por este jejum e por este monte de gente aqui!
Por causa deles todos choramos: Choram homens, mulheres e crianças. Choram os judeus árabes-negros recém chegados do Yemen com seus compridos cachos laterais caindo sobre seus ombros.
Choram os judeus russos com seus gabardos de ceda escura e com os reluzentes Shtreimels de pele sobre suas cabeças. Choram os rabinos etíopes e seus jovens seguidores com suas vestes coloridas, enquanto são observados pelos judeus franceses, italianos e brasileiros, que choram ao serem observados pelos jovens soldados israelenses... que choram...
Hoje o verbo chorar é conjugado em todos os tempos, pessoas e modos. Nós nos lamentamos pela destruição do nosso templo, no ano setenta e pelo exílio de nosso povo. Enlutados aqui, exatamente em Jerusalém, estamos todos juntos, vivos e fortes, de volta a nossa terra ancestral... Lindo!






Não! Nada de lindo! Hoje é o dia nove do mês de Av e por causa disso tudo é horrível!
A variedade de pessoas, idiomas, tecidos, cores e cantos. Todos reunidos sob a soberania judaica ...Nada disso é lindo. Pelo menos hoje!
Bem... mas para ser sincero, devo confessar que hoje temos pelo menos uma coisa que não é horrorosa, e sim: Assombrosa, Absurda e Macabra:
O cristão.
Um... Cristão ajoelhado aqui e agora e eu... não vou deixar barato!
Não vou fazer igual aqueles árabezinhos do Shuk, que vão dando desconto, desconto, desconto, até o produto ficar quase de graça!

NÃO! Comigo não tem desconto, porque o meu produto é a nossa dignidade e nada vale mais do que isso!
Hum... deixa eu ir com cuidado. A cada passo que eu dou posso tropeçar em alguém. Hum... nunca vi este piso bi ou trimilenar tão lotado. Será que ele agüenta tanto peso?
-Mais um pouquinho, isso, só mais um pouquinho... Todo o cuidado é pouco para não machucar um dos MEUS... Pronto! Cheguei!
Agora só falta erguer o meu pé e:
-Hei man!  What are you doing here? Here is a jewish temple! – Espero que ele compreenda o inglês.
-Agora os pontapés!
-Ha! ha! Ótimo, ele está se sentindo incomodado, daqui a pouco vai se tocar e vai sair! Com este ato eu estou vingando os milhões de...
-Rapaz! Rapaz! Pare! O que você esta fazendo?  – Perguntou repentinamente para mim um senhor idoso de profundos olhos azuis cravados num esqualido rosto, emoldurado por uma barba branca, que lembrava a lã das ovelhas dos beduinos:
-Enquanto seu magro e trêmulo dedo indicador apontava para o jovem “cruzado”, sua boca falava firme e claramente:
-Tafsik... Hu Mitpalel. – Pare, ele está rezando.
-Assustado e com os olhos arregalados, como quem acorda de um pesadelo, olhei para o velho e para o rapaz, no qual percebi agora um irmão, abaixei a cabeça com vergonha e me calei, percebendo novamente a água sair, mas desta vez através de canais mais elevados... Não entendi exatamente o por quê, mas o que senti naquele momento, no topo do monte do templo e de baixo do céu estrelado... foi realmente...Sagrado!


Jerusalem – Yerushalaim – Yir Shalom, Cidade da Paz.

File:Jerusalem Kotel night 9082.JPG