Seguir por Email

domingo, 1 de abril de 2012

"Lei geral do COPO!"


“É difícil conceber o quão inspirador deve ser assistir aos nossos deputados em nossa casa legislativa reunidos, discutindo com veemência e argumentando com acuidade a respeito de um tópico de interesse amplo e de influência geral.”
Este foi meu pensamento ao ouvir no rádio do meu carro um comentário que dizia que as discussões sobre a “Lei Geral” entre os nossos nobres deputados estavam “inflamadas e produtivas”.
“Lei Geral”
Adoro leis jurídicas, científicas e definições éticas que aparecem acompanhadas do termo “Geral”, pois normalmente elas envolvem grandes princípios, trazendo consigo potentes mudanças e avanços, rompendo com velhos e enferrujados paradigmas e escancarando novas perspectivas de evolução para a sociedade.
Vejam o exemplo de um dos maiores líderes judaicos de todos os tempos, o Rabino Akiva, que de modo sutil e brilhante, fazendo uso deste mesmo termo, deslocou o conceito do “ame ao próximo como a ti mesmo” de uma posição periférica e secundaria, para um lugar de destaque na prática religiosa cotidiana:
Está escrito na Bíblia: “Amarás ao próximo como a ti mesmo” e Akiva, através de seu dito, eternizado no tratado da “Ética dos pais”, emendou: “Esta é a regra Geral da Tora”.
Mas voltando ao meu carro: Ainda ouvindo a animadora notícia, pensei:
“Até que enfim os nossos políticos estão discutindo algo amplo, que deve influenciar a sociedade como um todo. Algo sem particularismos, algo verdadeiramente Geral!”
Mas... para minha amargura, a notícia foi interrompida por uma propaganda de cerveja.
-Que absurdo – Pensei – Interrompem uma notícia tão virtuosa para falar sobre algo que vicia? Cerveja? É por isto que nosso país não vai para frente. Quando começam a falar de algo mais elevado, de mais ideológico, aparece a tal da cerveja ou do futebol para distrair o povo!
Em poucos segundos cheguei ao meu lar. Sentando em minha poltrona, abri o notebook e empolgado entrei num site de notícias.
- Quem sabe esta lei não seja a solução para tanta alienação, corrupção, falta de educação e etc?
Ao ler a manchete da notícia, porem, minha empolgação murchou, pois constatei que não se tratava de uma “Lei tão Geral assim”, mas apenas de uma “Lei Geral da copa”...
De qualquer modo – Pensei – Já se trata de uma evolução. Uma lei geral da copa deve falar sobre os princípios éticos do jogo de futebol, das torcidas e dos patrocinadores. O que pode e o que não pode ser atrelado a imagem de um jogador, as limitações as quais a Fifa deve se submeter e...
...e a liberação das bebidas alcoólicas dentro dos estádios de futebol?
A liberação das bebidas alcoólicas dentro dos estádios de futebol?!
Ei... Por que este item está incluído nesta tão grandiosa lei? Ou melhor – Me perguntei após mais algumas linhas de leitura, já me sentindo enganado - Por que este item é “A própria lei”?
Fui ludibriado – gritei, enquanto batia na minha mesa – Mais uma vez fomos passados para trás! Que absurdo! Por que os caras deram um nome tão pomposo para uma lei tão ridícula e submissa aos interesses da Fifa?
Desanimado fechei o Computador e matutei:
Se ao menos os deputados mudassem o nome da desdita lei poderia ser menos decepcionante, ao menos não criariam em nós a expectativa de estarem fazendo algo de extraordinário como o nome Lei Geral indica...
Talvez seria melhor se a chamassem de “Lei geral do copo”, ou talvez: “liberou geral na copa”.
AMIGOS QUE QUEREM VER MUDANÇAS DE VERDADE, CHEGA DE RECLAMAR, VAMOS NOS EXPRESSAR, VAMOS AGIR, VAMOS PARTICIPAR MAIS E ASSISTIR MENOS, VAMOS CRIAR MAIS E CONSUMIR MENOS!
Ah... E antes que eu me esqueça:
Gostaria também de propor aos nobres deputados da “Lei Geral” que mudem o nome de seu honrado conselho de ética para conselho Etílico, talvez assim encontrem se mais aptos para julgar esta tão inebriante lei!
ACORDA BRASIL!!!
More Ventura! Judaísmo é atitude!!! E cidadania! 

Um comentário:

G, disse...

De acordo com a proposta.Em conformidade com esta resolução,cada estado terá que formar a própria comissão etílica.E possível, os estados incumbirão os municípios a formarem a propria,já que muitos terão jogos da copa e teremos em vez de decisões edilicas,decisões etilicas,muito necessarias,principalmente quando se pedem punições mais severas para os que dirigem alcoolisados.Que absurdo.