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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Judaísmo - A Beleza por trás dos textos da Torah!



Foto tirada na passagem subterrâneo da Av Consolação



            Os  Padrões

Existem crônicas e crônicas, histórias e histórias. A diferença entre elas reside na trama, na riqueza da linguagem usada, na habilidade do escritor em manusear as palavras, em seu poder de descrição dos ambientes, na riqueza dos diálogos e nas emoções e reflexões que despertam no leitor. Mas o que pode nos apontar que uma história fora elaborada a partir de um nível mais profundo e complexo de inteligência?

Num âmbito mais matemático e esotérico, na Torah são apontados vários padrões de codificações, onde palavras ocultas, que trazem consigo interessantes mensagens são encontradas, permeando de forma harmoniosamente secreta o seu texto.

Estes padrões ocultos, decididamente apontam para uma inteligência superior, pois somente uma inteligência desta classe poderia elaborar tal tipo de codificação, que apesar de densa, não prejudica nem a plástica e nem tampouco o conteúdo do texto, alem de revelar informações relacionadas ao futuro ou a mistérios desconhecidos.
Este tipo de código é muito interessante, mas hoje quero começar a falar sobre outros tipos de padrões que percebi ao refletir, discutir e analisar as histórias da Torah, principalmente tendo vários de meus maravilhosos alunos como interlocutores.
Estes padrões, diferentemente dos citados anteriormente, não são codificados, nem contem informações relativas ao futuro. São simplesmente revelações da forma como Deus atuou nas vidas de nossos antepassados e de como certamente continua atuando nas nossas.
Foto tirada na passagem subterrânea da Av Consolação
Para começar nosso estudo, vamos refletir sobre os relatos bíblicos a respeito da vida de Avraham, nos quais podemos observar um padrão constante, onde situações aparentemente prejudiciais a seus objetivos se transformaram justamente na causa do advento destes.
A primeira aparição de Avraham na história da Torah aconteceu de uma forma curiosa e enigmática, em se tratando de alguém que se tornaria um dos maiores guias da humanidade, pois seu debute se deu numa situação na qual ele atuou como mero personagem passivo de um plano que terminou abortado:
Seu pai Terakh, o tirara de sua cidade natal Ur, para juntos migrarem para Canaã. No meio do caminho, porém, a idéia fora abortada e os dois acabaram fixando morada na cidade de Haran.

Por que e para que isso aconteceu?

Tempos depois, ao se revelar para Avraham, Deus presenteou-o justamente com a posse da terra de Canaã, pedindo lhe que para la se dirigisse.
Seria mera coincidência o fato de a terra prometida a Avraham ter sido exatamente aquela almejada e deixada de lado por seu pai, anos antes?
Certamente não, pois justamente graças ao plano abortado, que Avraham se encontrara, já ao receber a revelação Divina, mais próximo da terra prometida, tanto no campo físico, quanto no âmbito das idéias, o que certamente facilitou a jornada e sua aceitação por parte da familia!
Aqui, já no inicio da historia do patriarca podemos testemunhar a ocorrência do padrão que seria uma constante em sua vida:
Antes da conquista, um aparente contratempo, que se converteria num facilitador ou na própria causa de sua benção.
Agora, motivado pelas promessas de Deus, de acordo com as quais seria abençoado com proteção, renome, riqueza e descendência, Avraham partira rumo à terra prometida.

A seca e a “colheita”.

Meses depois, de se estabelecer em Canaã, Avraham teve de se exilar no Egito devido a seca que assolava a terra prometida.
Agora ele parecia mais distante do que nunca das bênçãos prometidas pelo Criador.
Completamente desprotegido, perdera suas terras, perdera riquezas na forma de rebanhos, perdera o renome que vinha conquistando em Canaã e o pior de tudo: Perdera sua esposa Sarah, que por sua beleza fora levada ao Faraó para que este a tomasse por mulher, ficando assim privado daquela que lhe daria a descendência.
E o que aconteceu logo depois? A salvação e muitas bênçãos trazidas justamente pelo aparente contratempo recém superado:
Por conta da interferência Divina, Faraó devolvera a esposa para Avraham, indenizando-o com muitas riquezas em forma de animais, servos e servas, uma das quais se tornaria futuramente a mãe de um de seus filhos, Ismael.
Após estas reparações, Faraó enviou Avraham e Sarah de volta a terra de Canaã, a qual encontraram vívida e hidratada pelas águas da chuva.
E então gente boa? Você percebeu novamente o padrão por trás dos fatos?

Mas e as bênçãos de renome e proteção?

Algum tempo depois de seu retorno a Canaã, Avraham ouvira assustado a notícia da captura de seu sobrinho Lot, que fora levado juntamente com os habitantes da rica cidade de Sodoma, pelos reis conquistadores da Mesopotâmia.
Juntamente com alguns aliados e com centenas de seus seguidores, Avraham liderou um exercito que venceu os invasores, libertando os cativos e recuperando seus pertences. A ele foi oferecido pelo rei de Sodoma a posse de suas riquezas em troca da devolução de seu povo. Avraham abdicou de ambos.
Com esta vitoria o Patriarca percebera pairar sobre sí as bênçãos de proteção e renome, pois alem de vivenciar a proteção Divina nos campos de batalha, testemunhara a consagração de seu nome, pela vitória e por ter abdicado a recompensa.
Hum... O que vemos aqui?
O padrão se repetindo!
Primeiro veio a má notícia da captura do sobrinho acompanhada pelo temor da guerra. Depois veio a vitória na batalha, acompanhada do sentimento de proteção Divina e do conseqüente renome.

A circuncisão e a verdadeira descendência.

Já com idade avançada, Avraham recebera a ordem Divina de se circuncidar, o que certamente colocaria em risco sua capacidade de aumentar a prole, formada por seu único filho Ismael, gerado não por sua legitima esposa Sarah, mas sim por Hagar, a serva egípcia.
Três dias após cumprir a ordem Divina, ele recebeu a visita de três anjos que lhe deram as boas novas sobre a chegada de mais um filho, que seria gerado desta vez, por sua esposa Sarah.
A conexão entre o cumprimento da circuncisão e vinda de mais um filho é obvia!
E então amigos? Estão convencidos de que temos aqui um padrão que se repete? Uma intenção mais profunda por trás dos fatos? (e do texto?)

O Sacrifício de Isaac.

Quando Isaac, o escolhido de Deus para suceder Avraham já era crescido, seu pai fora ordenado a sacrificá-lo, o que impossibilitaria a geração de um povo, benção prometida por Deus no inicio de sua historia com Avraham.
Logo após ser impedido de consumar o sacrifício, Avraham recebeu de forma tardia, a notícia do nascimento de uma sobrinha, o que somado a quase perda do filho, motivou-o a enviar um servo à sua terra para buscar uma noiva para Isaac, resultando em seu casamento com a prima Rebeca, com a qual gerou Jacob, que deu origem as doze tribos, perpetuando a semente de Avraham, formando o povo de Israel.
Entao... Novamente o padrão:
A dificuldade foi o Sacrifício, que trouxe em seu esteio o casamento e a continuidade!
E Por que Avraham teve que ter justamente este padrão atuando em sua vida?
Ah.... Isso é tema para outro dia, pois se a gente continuar... Vai acabar virando um livro!
Mas antes de terminar eu só queria compartilhar com vocês uma reflexão:
Assim como Avraham era guiado por um padrão que o direcionava à evolução naquilo que mais carecia, cada um de nós também o somos! Basta prestarmos mais atenção a seqüência dos fatos que nos acontecem e então descobriremos o padrão por trás deles, que nada mais é do que a orientação particular que recebemos “La De Cima”!

Ps: "Nunca se esqueça de perguntar para ........... Você!"

6 comentários:

Rodolfo Penteado disse...

Rabi Shimon disse: Seja cuidadoso na leitura do Shemah e na prece (Amidah). Quando orar, não faça da tua prece um ato rotineiro [mecânico], e sim um rogo de piedade e uma súplica diante de D'us, pois foi dito: Porque Ele é gracioso e compassivo, lento para a ira e de abundante misericórdia, e desiste do mau decreto. E não te consideres malvado em tua própria auto-avaliação.


Tá tudo no Pirke Avot. Apenas troque a tefila pelo estudo na sentença de Rabi Shimon: não faça do estudo algo mecânico. Indague-se sempre (rabi Hillel diz que o tímido que não pergunta não pode aprender), sem medo (afinal, um mestre que fica irado não é um bom mestre). Abundam textos, especialmente entre os chassídicos, que ensinam que a Torah se renova a cada dia.

Blog disse...

Aprendi sozinho que o estudo mecânico e enfadonho é sinal de que não estamos curtindo o nosso "Amigo" lá de cima. Logo, estaremos cegos e sozinhos.
Quem entende não está sozinho nunca. Mesmo diante do perigo e da morte. Meditar estudando ou vice-versa é como se fosse uma visita e um bate-papo com o Divino que é sem dúvida a melhor companhia que alguem pode ter.
E os mestres como o More, fazem o estudo bem mais bacana.
Abração!

Luiz Santinácio disse...

Eu li! E, como to disse, repito: quero aprender. Facto: ensina-me.

Anônimo disse...

A Torá é um tesouro inesgotável,estuda-la é conhecer a D-us profundamente, e sempre nos acrescenta novos ensinamentos.Na Torá se aprende o quanto o Eterno é gradioso e que os problemas humanos diante dEle inexistem.E que nenhum outro autor no mundo ousa dizer:Vaiomer Elohim;Assim diz o Senhor.

Anônimo disse...

li o texto,quero lhe confessar vivia no meu de romantismo e muito blabla bla,conheci o judaismo pela internet,começei a pesquisar,ate que ja estava envolvida,não faz muito tempo que estudo a TORAH,mais tenho me esforçado muito,TORAH nós aproxima de Hashem,com padrões escritos por Elohim,nós faz enxergar claramente,os sinais de Hashem,e como agrada-lo,não e emoção, e mais profundo,e com seu blog amigo more tem me ajudado a intender mais,são texto bem elaborados e de facil compreenção.hadassa camelo

Germaine Segall disse...

Qualquer comentário seria oco.Diante da beleza e da verdade me calo.