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domingo, 1 de janeiro de 2012

Judaísmo - Calendário judaico?!



Um dos melhores exemplos de interação dos judeus com as culturas com as quais conviveram e convivem, por incrível que pareça, é o calendário judaico, pois os nomes de seus meses não são Hebraicos e sim... Babilônicos!
Pelo Tanach - Bíblia - Podemos conhecer somente alguns poucos nomes hebraicos, que acabaram, "meio que", deixados de lado: Aviv, Ziv, Bul e Eitanim.
O interessante é notar que apesar de estes nomes serem babilônicos, e alguns deles, ainda por cima, serem originalmente nomes de deuses Sumérios (1), nossos sábios não deixaram de usa-los em interpretações das quais extraíram mensagens relativas à nossa fé e aos nossos costumes.
Um dos maiores exemplos é o nome Babilônico do mês de ELUL - ("EL-ULtimo mes" do calendário judaico) -  que é usado em uma infinidade de Interpretações Talmúdicas e cabalísticas. 
Apesar de existirem pessoas que gostem de cultivar uma imagem puritana de nossa cultura, uma investigação um pouco mais aprofundada de nossas próprias fontes, mostra que uma de nossas maiores virtudes sempre foi a absorção e a adaptação de costumes de outras culturas com as quais convivemos.
Existe prova maior desta "Assimilação"do que a nossa roupa ortodoxa judaica?
Ou você acha que Abrahão e Moises andavam com Chapéus e ternos pretos?
Abraços Fraternos!
More Ventura!


(1) - Ezequiel - 8;14

8 comentários:

Nina disse...

Arrasou More!
Shalom!

Rodolfo Penteado disse...

Judeus poloneses faziam uma espécie de procissão em Simchat Torah, tal o modo dos católicos.

Outra grande fonte de prova de absorção cultural não é só a roupa ou o calendário, mas também a cozinha. Exceto o pão e o vinho (que são universais), e talvez o guelfit fish (que é um prato até moderno) o único prato de toda a culinária judaica autêntico é o tcholent / adafina, que é chamado no Talmud de chamim, e deu, curiosamente, origem a feijoada entupida de porco, além de vários outros cozidos a base de carnes e cereais mundo a fora, especialmente onde o português e os Judeus que lá viviam foram.

Mas quais são os outros pratos judaicos? Todos são versões casherizadas de pratos de lugares onde o Judeu chegou.

Quanto a discussão do calendário, lembra-me muito dos escritos de Maimônides, de bendita memória, que escreveu na Mishne Torá a respeito dos planetas e seus movimentos, e textos da mística Judaica como o Sefer HaYetsirá que tratam o sistema solar de acordo com os estudos do grego Ptolomeu, usando do seu modelo geocêntrico.

Os meses judaicos originalmente também não tem nome. Eram apenas "primeiro mês, segundo mês..." tal como são os dias da semana. É bem provável que esses nomes anteriores sejam egípcios ou fenícios. O alfabeto que usamos hoje é emprestado do alfabeto aramaico. Nem por isso os Sábios não souberam extrair toneladas de explicações e ensinamentos disso.

A Torah não foi dada prá caricaturizarmos estereótipos, mas sim como Ensinamento de como tornar esse mundo aqui, bem terreno, bem físico, um lugar digno para ser a morada do Criador, bendito seja.

É interessante notar também que os dias da semana em muitos idiomas possuem relação com nome dos astros, e isso foi usado em várias culturas como avodah zarah. Contudo no Sefer HaYetsirá também lemos quanto a Criação que esses mesmos dias coincidem na ordem de formação dos planetas.

Outra coisa curiosa é a coincidência de várias festas antigas com alguma similaridade com as nossas. Como muitos já observaram, Pessach, Shavuot e Sukot possuem um caráter de festa agrícola, de colheita. Mas longe de isso ser uma "imitação dos pagãos ao redor", o que a Sagrada Torah faz é ampliar, ou ainda revelar muito mais significados e dar-nos muito mais motivos para celebrarmos um período naturalmente festivo do que a simples fartura material. Igualmente vemos nas festas promulgadas por nossos Sábios: o Chanukah, Purim, e até em Lag B'Omer como atrelaram significado e a possibilidade de festividade com ensinamentos, sem ferir os princípios da Torah, a datas em que há celebrações semelhantes dos outros povos do mundo.

Só mais uma curiosidade acerca do calendário, vinda de uma piada mordaz:

Hitler vai a uma cartomante com uma curiosidade que o atormentava: em que dia ele iria morrer? Consulta a adivinha e esta lhe diz: "O dia em que você irá morrer é um feriado Judaico." O cão então - espantado - indaga: "Qual feriado? Pessach? Sukot? Chanukah?". A cartomante retruca: "Tanto faz! O dia que você morrer SERÁ um feriado Judaico."

Hitler se matou às vésperas de Lag B'Omer. O mesmo Lag B'Omer em que, dois milênios atrás, cessou a peste que matara quase todos os alunos do Rabi Akiva. "A peste" a que nos referimos não é outra senão os romanos que controlavam e dizimavam Judeus, por serem Judeus e quererem ser Judeus.

Berale Burd disse...

Mais um post show de bola, heim???
Chazak U'Baruch

Anônimo disse...

Muito bom Moré!
Só por curiosidade: O mês "tamuz" deriva de Dumuzi,personagem da mitologia suméria. As procissões faziam parte dos ritos babilônicos - são, portanto, muito anteriores ao cristianísmo.
Um abraço, Marilia Freidenson

Rebecca Mendes disse...

Essa eu nem imaginava

Rodolfo Penteado disse...

Sim, procissões são mais antigas que o cristianismo. Mas o costume dos Judeus da Polônia fazerem procissões com os rolos de Torah em Simchat Torah não advêm dos babilônios, mas sim da adaptação do que viam os cristãos fazendo como gesto de reverência a seu redor. Não me referi a quando as procissões foram inventadas, mas tão somente de onde uma parcela do Povo Judeu desenvolveu tal hábito.

Do mesmo modo, há costumes que árabes e judeus sefaradim compartilham, e até mesmo coisas que Beta Israelim possuem semelhantes a outros povos da Etiópia.

Retornando a culinária, a feijoada que advem da adafina dos Judeus Portugueses que punham porco no cozido para mostrarem aos outros que não praticavam as tradições de seus antepassados disseminou-se por todo o nosso País, de tal modo que hoje tem-se um senso comum errôneo que este prato veio da senzala onde negros preparariam-no com restos de porco comido na casa grande. Ora, o próprio Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala, que disseminou essa idéia da origem da feijoada afirma que na senzala o negro se alimentava melhor do que seus senhores na casa grande, afim de suportar todo o fardo do trabalho escravo, e que o Brasil colonial sofria de escassez de viveres para subsistencia, faltava até farinha de mandioca!

Quem rebate o argumento de Freyre quanto a feijoada, e diz que este é um prato marrano é Câmara Cascudo.

nair paixão disse...

É muito bom ler o seu blog !!!!!aprendo em cada leitura que faço...
parabéns !!!!

nair paixão disse...

Isso que é atitude !!!!