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domingo, 30 de outubro de 2011

Eu... num protesto contra mim mesmo !

No ano passado, num dia chuvoso e acinzentado, ao caminhar em um dos lugares que mais gosto na nossa cidade, a avenida Paulista, passei na frente de um ato pró revolução no Egito, na frente do edifício da Gazeta

Naquele momento, uma líder de um grupo que se auto intitulava de extrema esquerda esbravejava ao microfone, dizendo que temia que a revolução popular egípcia fosse seqüestrada pela burguesia.
Sugeri, de lado, que ela expressasse o mesmo temor em relação aos fundamentalistas islâmicos. A jovem me ignorou.
Quando ela terminou seu discurso, fui lhe dar os parabéns por seu "ânimo e eloquência".
Depois dos salamaleques iniciais perguntei o por que de ela não ter citado o fundamentalismo islâmico como um potencial “seqüestrador” da revolução e ela, ao invés de responder, me perguntou:
-De onde você é ?
-Sou Brasileiro - Respondi - Faço parte da comunidade judaica e inclusive, acho alguns dos verdadeiros ideais socialistas bem interessantes !
Ela me olhou surpresa e se adiantando um pouco em suas conclusões disparou :
-Uau ! Eu não sabia que existiam judeus de esquerda !
-Depois de envergonhá-la por ter dito tal absurdo, (citando célebres judeus esquerdistas), começamos a ouvir palavras de ordem da “torcida” sentada nas escadarias do edifício: 
-“Olé ola, Israel a tua hora vai chegar !”, sobre as quais eu emendei:
-Pois é... Mesmo com a existência de muitos judeus simpatizantes dos ideais de esquerda, vai ser difícil vê-los por aqui, pois normalmente este tratamento “diferenciado” que vocês dão a Israel não costuma atrair muitos israelitas
Eu mesmo, como filho de Egípcio, (que fugiu do Egito devido aos ataques dos “irmãos muçulmanos"), gostaria talvez, de estar manifestando meu apoio junto com vocês, mas o que posso fazer se não me sinto muito a vontade por aqui...
(Naqueles dias eu ainda não sabia no que daria aquela revolução...)
Ainda sob o raivoso canto da torcida, disse a ela que se o ideal destas pessoas fosse o "no Countries" e o "no religion", eu não concordaria, mas entenderia, porem eu só estou ouvindo o "no Israel" !  
E o Irã? E a Arábia Saudita? Por que não se manifestam também contra eles ? Por que não se manifestam contra os massacres na Síria contra os próprios árabes? Por que não se manifestam contra a violenta opressão às mulheres, missionários cristãos e homossexuais nos países e territórios fundamentalistas? 
No final de nosso "bate papo", falei à "corajosa líder" que eu não tinha medo nenhum de dialogar e ofereci meu e-mail a ela, recebendo o dela como troco.
Na mesma noite lhe enviei uma mensagem e assim o fiz por mais três vezes, mas a moça nunca respondeu... Por que será?


Pseudo pacifistas, respondam me, por favor:
Aonde reside a verdadeira coragem ? Nas bravatas, ofensas e discursos inflamados ou na disposição de se ter um conversa franca"cara a cara" ?
Aonde está a verdadeira busca pela paz?
Nas condenações dirigidas somente a Israel, mal disfarçando o velho ranço anti semita, ou na crítica a todos os abusos e violências e na busca equilibrada de diálogo e soluções?
Bem, aí vai minha mensagem para vocês, mocinhas e moções pseudo humanistas e pseudo pacifistas:  Parem de gritar e ameaçar...Já que vocês são tão corajosos, venham.......
Dialogar!
More Ventura! Judaísmo é atitude!!!



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